Por meio de uma trama de mistério intrincada, o diretor Rian Johnson propõe uma reflexão profunda sobre fé e humanidade neste terceiro longa protagonizado pelo detetive Benoit Blanc (Daniel Craig). Em “Vivo ou Morto: um mistério Knives Out”, o cineasta explora diferentes manifestações da religiosidade. Estas variam da busca por transformação espiritual à instrumentalização política, passando pelo desejo intrínseco de pertencimento a um grupo. Assim, o filme disseca conceitos como o propósito da crença, o culto à personalidade e a necessária humanização do sagrado.
O Crime Impossível e o Humor da Cultura Pop em Vivo ou Morto: um mistério Knives Out
O crime é apresentado sob a égide do “impossível”, remetendo aos clássicos romances policiais. Além disso, a narrativa se nutre de referências à literatura e à cultura pop. Dessa forma, desfila citações espirituosas que vão de Scooby-Doo a Star Wars. Esse humor sagaz manifesta-se nas excentricidades dos personagens e em diálogos inspirados, como na cena que ironiza as produções de true crime para podcasts e streaming.
Atmosfera Sombria e a Anatomia das Motivações
Apesar disso, a fotografia resgata o tom sombrio do primeiro capítulo da franquia. Isso ocorre ao adotar uma paleta fria e nublada que contrasta com a exuberância tropical do segundo filme. Nesta série, aliás, as motivações por trás dos assassinatos revelam-se mais cruciais do que o simples “quem matou”. Assim, as reviravoltas conferem camadas de complexidade à narrativa.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

