O Que Pequena Miss Sunshine Nos Ensina Sobre a Verdadeira Felicidade - O Mundo Autista
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O Que Pequena Miss Sunshine Nos Ensina Sobre a Verdadeira Felicidade

Pequena Miss Sunshine aborda a verdadeira felicidade. Descubra nesta crítica que une cinema, superação familiar e reflexões sobre a vida.

Pequena Miss Sunshine aborda a verdadeira felicidade. Descubra nesta crítica que une cinema, superação familiar e reflexões sobre a vida.

Pequena Miss Sunshine aborda a verdadeira felicidade. Descubra nesta crítica que une cinema, superação familiar e reflexões sobre a vida.

O Que Pequena Miss Sunshine Nos Ensina Sobre a Verdadeira Felicidade. Olha, é muito comum hoje em dia a gente esbarrar nesse discurso — e com razões até compreensíveis, veja bem, dadas as nossas crises políticas e econômicas — de que a felicidade se tornou um artigo de luxo, algo inatingível. Mas eu sempre fui muito partidária de uma visão diferente, fortemente inspirada pela filosofia do budismo de Nichiren Daishonin. A felicidade não é um prêmio que você ganha quando as circunstâncias se alinham; ela é um estado de vida.

O que é a felicidade?

O budismo nos ensina algo que é formidável: a diferença entre a felicidade relativa, aquela que é completamente refém do que nos acontece (um bom emprego, um romance), e a felicidade absoluta. Essa, sim, é uma postura de lindeza inabalável diante do mundo. E repare como Pequena Miss Sunshine captura essa essência com uma inteligência que chega a ser comovente.

O Retrato das Dinâmicas Familiares em Pequena Miss Sunshine

O que nós temos aqui é uma família em estado terminal de exaustão emocional, onde cada membro foi, francamente, atropelado pelas circunstâncias. Nós temos um tio (um Steve Carell esplêndido, provando que é uma força dramática formidável) devastado por um término e um suicídio frustrado; um adolescente amordaçado pelo próprio silêncio e por sonhos que parecem inalcançáveis (Paul Dano); um pai, interpretado por Greg Kinnear, que é refém do próprio delírio de autoajuda e apavorado com o fracasso; e uma mãe (Toni Collette) tentando desesperadamente equilibrar todos esses pratos no ar.

A Forja da União e a Crítica Social no filme Pequena Miss Sunshine

E no meio desse caos, nós temos a filha caçula. A viagem que eles são obrigados a fazer naquela Kombi amarela para um concurso de beleza na Califórnia é onde o milagre do filme opera. A lindeza desse roteiro está em mostrar que a união familiar não se forja quando os problemas desaparecem, mas sim quando eles aprendem a parar de chafurdar no vitimismo e percebem que precisam, desesperadamente, uns dos outros. É uma catarse.

O clímax nos atira no meio daquele show de horrores que são os concursos juvenis americanos — uma quebra de tom que me remeteu muito à acidez de Lindas de Morrer, aquela comédia dos anos 90, só que ancorada no cotidiano e em trocas de olhares brilhantes. Pode parecer deslocado no início, mas funciona maravilhosamente bem para unir essa família em um levante contra o escárnio alheio.

Atuações e o Farol da Esperança

E eu preciso fazer uma reverência à Abigail Breslin. Que deslumbre. Ela é o farol de esperança do filme, lidando com o mundo com uma pureza absolutamente blindada contra o cinismo dos adultos. O elenco inteiro, aliás, é um espetáculo à parte. Paul Dano faz tanto com tão poucas palavras, e o Alan Arkin… bom, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi justíssimo. Ele encarna aquele avô desbocado, fruto do seu tempo, mas com um afeto pela neta que é de uma palpabilidade extraordinária.

É um filme sobre abraçar o próprio caos e encontrar a sua felicidade absoluta no processo.

Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

Vídeo – “Pequena Miss Sunshine”

Sophia Mendonça

Autora

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Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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