Scooby-Doo (2002): O milagre camp que a gente não sabia que precisava - O Mundo Autista
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Scooby-Doo (2002): O milagre camp que a gente não sabia que precisava

Elenco do live-action de Scooby-Doo é perfeito. Adaptação do desenho animado Scooby-Doo é charmosa e ambiciosa. Confira a crítica.

Elenco do live-action de Scooby-Doo é perfeito. Adaptação do desenho animado Scooby-Doo é charmosa e ambiciosa. Confira a crítica.

Elenco do live-action de Scooby-Doo é perfeito. Adaptação do desenho animado Scooby-Doo é charmosa e ambiciosa. Confira a crítica.

Quando se fala em adaptações de desenhos animados para o formato live-action, a regra geral é o desastre completo. Mas Scooby-Doo (2002) é a exceção que confirma a regra — e, ouso dizer, um pequeno e delicioso milagre da cultura pop.

Elenco do live-action de Scooby-Doo é perfeito

Para começar, é preciso falar sobre esse elenco, que beira a clarividência. Sarah Michelle Gellar, Freddie Prinze Jr., Linda Cardellini e Matthew Lillard não apenas emprestam o seu star power do início dos anos 2000, como trazem consigo uma bagagem formidável do cinema adolescente e de terror. Eles não vestem os personagens; eles os habitam com uma familiaridade espantosa. Matthew Lillard, francamente, não atua — ele é o Salsicha. É um trabalho físico e vocal de cair o queixo.

Onde muitos estúdios se contentariam com uma recriação preguiçosa e sem alma, o diretor Raja Gosnell e o roteirista — ninguém menos que James Gunn, vejam só — decidem ser genuinamente ambiciosos. Eles pegam a mitologia estabelecida pela Hanna-Barbera e a injetam com uma dose cavalar de autoconsciência. A trama não tem o menor pudor de abraçar o absurdo, entregando um mistério intrincado, cheio de reviravoltas e deliciosamente satírico.

Adaptação do desenho animado Scooby-Doo é charmosa e ambiciosa

O resultado é um filme que opera com uma destreza notável em duas frequências: ele entrega a comédia física, colorida e barulhenta que as crianças exigem, mas a embala em uma autoparódia mordaz, cheia de insinuações e subtextos feitos sob medida para os adultos. Aquilo que, na época, fez os puristas torcerem o nariz, hoje, em uma revisita, se revela o seu maior triunfo. O longa entende perfeitamente o que é e se diverte horrores com isso.

E a atmosfera? Um absoluto deleite. A ambientação na Ilha do Espanto, a trilha sonora deliciosamente calcada no pop-rock da virada do milênio, e as participações sempre bem-vindas de Rowan Atkinson e Isla Fisher conferem uma energia caótica e irresistível à obra. Até mesmo o nosso querido cão dinamarquês em CGI, que hoje denuncia a sua idade, mantém um charme inegável.

É uma adaptação que, em retrospecto, é infinitamente mais inteligente e corajosa do que tinha a obrigação de ser.

Scooby-Doo está disponível na HBO Max.

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Avaliação

Avaliação: 3.5 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Idealizadora da mentoria “Conexão Raiz”. Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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