Crítica Jovem Sherlock: O Mistério Eletrizante de Guy Ritchie - O Mundo Autista
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Crítica Jovem Sherlock: O Mistério Eletrizante de Guy Ritchie

Crítica da série Jovem Sherlock. Com o estilo eletrizante de Guy Ritchie, a produção traz um mistério ágil, elenco afiado e trama envolvente.

Crítica da série Jovem Sherlock. Com o estilo eletrizante de Guy Ritchie, a produção traz um mistério ágil, elenco afiado e trama envolvente.

A série Jovem Sherlock foi uma surpresa formidável. Ela é espirituosa, ela é muito envolvente e, o que é o seu grande trunfo: tem um ritmo tão movimentado e uma trama tão intrincada e sofisticada, que não deixa a menor brecha para o adulto se entediar.

Jovem Sherlock tem a Assinatura Inconfundível de Guy Ritchie: Uma Trama Juvenil Que Não Subestima o Público Adulto

E aí a gente olha para os créditos e entende imediatamente de onde vem essa voltagem toda. Na produção executiva e na cadeira de diretor de dois episódios, nós temos Guy Ritchie. Ele, que já havia brincado com esse universo naquelas duas versões cinematográficas muito vigorosas de Sherlock Holmes – além de ter no currículo filmes de andamento acelerado e até aquele seu Aladdin –, empresta toda a sua impressão digital ao projeto. Aquele estilo leve, aquela agilidade eletrizante e meio malandra que o Ritchie tem, contamina a série de uma maneira deliciosa. É ele o grande responsável por boa parte dessa diversão.

E o que dizer do visual? É um deslumbre. Eles acertaram em cheio no elenco, e a gente tem aqui figurinos de época impecáveis que não cheiram a naftalina. Muito pelo contrário: a série apresenta uma roupagem ágil, quase moderna, mas que tem o grande mérito de nunca, em nenhum momento, perder aquele clima clássico e esfumaçado de mistério que a gente exige da franquia.

O Embate Sherlock vs. Moriarty e o Visual Impecável de Jovem Sherlock

Mas o que me fisgou de verdade, o que sustenta o interesse episódio após episódio, é o miolo da coisa: a dinâmica entre Sherlock e Moriarty. O atrito constante que contrasta o intelecto rigoroso e fotográfico do jovem detetive com os interesses moralmente ambíguos de seu antagonista é simplesmente fascinante de se acompanhar.

E, por fim, eu não poderia terminar sem destacar o trabalho esplêndido de Natasha McElhone. No papel da mãe de Sherlock, ela pega temas dificílimos – como a construção histórica da tal ‘loucura feminina’ e o gaslighting – e trabalha tudo isso com uma textura, com uma profundidade que eleva o material a outro patamar.

Em suma: é um achado. Uma delícia de maratona.

Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

Vídeo – “Jovem Sherlock”

Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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