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Crítica | Não É Mais Um Besteirol Americano (2001)

Crítica de Não É Mais Um Besteirol Americano: humor, clichês e falhas em uma paródia nostálgica das comédias adolescentes.

Crítica de Não É Mais Um Besteirol Americano: humor, clichês e falhas em uma paródia nostálgica das comédias adolescentes.

Crítica de Não É Mais Um Besteirol Americano: humor, clichês e falhas em uma paródia nostálgica das comédias adolescentes.

Há um momento particularmente sofrível em “Não É Mais Um Besteirol Americano” (2001). Este é o filme que se propõe a ser uma paródia das comédias adolescentes que fizeram um sucesso estrondoso nas décadas de 1980 e 1990. A obra, dessa forma, mira desde os clássicos dirigidos por John Hughes até sucessos mais recentes da época, como “Ela É Demais” e “Nunca Fui Beijada”.

Não É Mais Um Besteirol Americano (2001): nostalgia e entretenimento descompromissado

Existe uma cena específica que testa os limites do público. Trata-se da fatídica sequência do vaso sanitário caindo do teto. No entanto, há uma boa notícia. Se o espectador conseguir superar essa cena, que é inegavelmente desconfortável e demorada, descobrirá que o restante do filme não é de todo ruim.

Embora não alcance o mesmo nível de genialidade cômica de outros clássicos do gênero besteirol — como o primeiro e o terceiro “Todo Mundo em Pânico” ou “Corra que a Polícia Vem Aí” —, o longa tem seus méritos. Isso porque arranca risadas genuínas, principalmente quando se dedica a imitar quase literalmente as convenções e os clichês dos filmes de sucesso daquela geração.

Falhas estruturais e do humor escatológico

No que diz respeito às atuações, o elenco entrega performances que podem ser consideradas frágeis, mas que, paradoxalmente, combinam muito bem com a proposta da obra. Portanto, os atores estão ali para representar arquétipos de forma irônica. E cumprem esse papel. O elenco era formado por atores muito jovens na época e conta até mesmo com uma participação especial de Melissa Joan Hart, a eterna protagonista de “Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira”.

O grande calcanhar de Aquiles do filme, contudo, é a estrutura. Afinal, a obra soa muito mais como uma colagem de esquetes do que como uma narrativa coesa. Então, quando juntadas, as peças não fazem muito sentido, evidenciando uma montagem bastante falha. Para piorar, a música é frequentemente usada como uma muleta. Com isso, tentam extrair mais graça das piadas do que elas naturalmente possuem. Esta é uma estratégia que nem sempre funciona.

Não É Mais Um Besteirol Americano: humor, clichês e falhas em uma paródia nostálgica

Apesar de seus defeitos estruturais e de apelar para o humor mais baixo em certos momentos, “Não É Mais Um Besteirol Americano” cumpre o seu papel básico. Como um puro entretenimento descompromissado, ele ainda consegue funcionar.

Vídeo – “Não É Mais Um Besteirol Americano”

Avaliação

Avaliação: 2 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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