Hoje é o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, criado pela ONU – organização das Nações Unidas, em 2007. Autismo: conhecer para entender, entender para respeitar. É fundamental saber que, neste exato momento, você pode estar cruzando com uma pessoa autista na rua sem perceber. Ou pode encontrar uma criança no supermercado enfrentando um colapso sensorial — o que muitos confundem com “birra”, e julgar a mãe por uma suposta falta de educação. Nada melhor que o dia de hoje para compreendermos as realidades das pessoas neurodivergentes em seu convívio social.
O Cérebro Neurodivergente
Nascer autista significa que seu cérebro possui uma organização e um funcionamento singulares. Desse modo, diferente do cérebro típico, o cérebro autista processa estímulos de forma distinta. O diagnóstico precoce e as intervenções adequadas não visam “tornar a pessoa típica”, mas sim oferecer estímulos que permitam ao cérebro criar caminhos funcionais para que ela desenvolva autonomia e habilidades que, sem suporte, seriam inacessíveis. É comum que o autismo coexista com outras condições, as chamadas comorbidades, como o TDAH, ansiedade (TAG), transtorno sensorial e seletividade alimentar.
Critérios e Níveis de Suporte – Conhecer para Entender, Entender para Respeitar
Para que uma pessoa seja identificada dentro do TEA (Transtorno do Espectro Autista), independentemente da idade, observa-se a presença de limitações em dois eixos centrais (a chamada díade diagnóstica):
- Comunicação e Interação Social: Dificuldades na reciprocidade social e na comunicação verbal ou não verbal.
- Padrões Comportamentais: Presença de comportamentos repetitivos (estereotipias), rigidez cognitiva e interesses profundos ou restritos.
O autismo é um espectro e se manifesta em diferentes níveis de necessidade de suporte:
Nível 1 de Suporte: As limitações são menos severas, mas exigem apoio para a autonomia. Não há, necessariamente, déficit intelectual, podendo o QI estar na média ou acima dela.
Nível 2 de Suporte: Exige suporte moderado. As dificuldades na interação social e a presença de características como a seletividade alimentar são mais marcantes.
Nível 3 de Suporte: Exige suporte muito substancial. A comunicação é fortemente afetada (muitas vezes sendo não verbal) e pode haver deficiência intelectual associada. No entanto, isso não anula a existência de uma “inteligência fluida” ou talentos que muitas vezes são ignorados por profissionais que focam apenas nas limitações.
Habilidades e Adaptações – Conhecer para Entender, Entender para Respeitar
Antes de julgar alguém, é preciso perceber que limitações em certas áreas convivem com habilidades expressivas em outras. Um excelente escritor autista pode ter dificuldades motoras simples, como abotoar uma camisa. Um acadêmico brilhante pode se desorganizar totalmente em uma sala barulhenta devido à hipersensibilidade auditiva.
O autoconhecimento permite que o autista crie estratégias de adequação. Quando a sociedade oferece ambientes inclusivos, como as salas sensoriais em aeroportos e parques, ela permite que o indivíduo recupere seu equilíbrio e conviva em igualdade com seus pares.
O Peso do Mascaramento e o Diagnóstico Tardio
Muitos adultos chegam à maturidade sem o diagnóstico, utilizando o “mascaramento” (fingir ser típico) para sobreviver à sociedade. Embora pareçam “funcionais”, esse esforço constante gera exaustão e sofrimento profundo. O diagnóstico tardio não é uma “modinha”, mas uma bússola necessária para que a pessoa redirecione sua vida de acordo com sua verdadeira essência.
Conclusão: Autismo: Conhecer para Entender, Entender para Respeitar
A diversidade de mentes e experiências enriquece a humanidade. O preconceito nasce do desconhecimento, mas a discriminação consciente é um ato ilícito. Devemos ousar em nosso pensamento para não reproduzir erros do passado, que tratavam a diferença com isolamento e tortura.
O conhecimento traz o entendimento real. Neste 2 de abril, reafirmamos nossa responsabilidade de conhecer para respeitar. Afinal, com mais informação, teremos menos preconceitos.

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. É também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Em 2019, recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. É mentora para uma comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

