A tentativa de adaptar a experiência de uma atração sensorial de muito sucesso para a vivência cinematográfica é a premissa de Mansão Mal-Assombrada. Este filme, afinal, encontra inapiração no famoso brinquedo do parque temático da Disney. Entäo, para quem adora obras que sabem misturar humor e terror, a ideia inicial agrada bastante.
Outro aspecto curioso é que a produção se volta principalmente para provocar a experiência sensorial oriunda dos cenários assustadores e divertidos em crianças pequenas. Com isso, o filme tenta buscar maneiras de explorar essas sensações de forma intrigante. Exemplos disso são o enredo motivado por questões raciais e a ambientação que se encontra no cerne da narrativa.
A Sutileza do Roteiro nas Questões Raciais em Mansão Mal-Assombrada
Histórias de fantasmas costumam ser movidas por questões do passado que mantêm as almas presas no presente. O que há de mais ambicioso nesta trama, contudo, é a forma como ela se apoia em questões raciais. Assim, o grande pilar da narrativa é um casamento interracial que foi impedido em tempos antigos. Além disso, o grande mérito do roteiro de David Berembaum é a sutileza. Afinal, o filme não subestima o espectador infantil martelando ideias sobre racismo e convenções sociais de forma didática. Em vez disso, essas questões estão ali como o aspecto primordial da história. Desse modo, os temas conduzem a trama de uma maneira sutil, mas muito envolvente.
Clichês Familiares no Núcleo Humano
Apesar do ótimo pano de fundo fantasmagórico, a execução do núcleo humano esbarra em uma certa artificialidade. Isso porque a trama se conecta com dinâmicas muito batidas e que carecem de maior profundidade. Os arquétipos presentes no longa incluem: o pai de família que trabalha demais, a mãe que deseja mais contato com o marido e uma filha corajosa em contraste com um filho medroso que precisa superar seus temores.
Direção de Arte: A Verdadeira Estrela do Longa Mansão Mal-Assombrada
No entanto, é a direção de arte, baseada em cenários reais, que confere maior densidade à narrativa em meio a esses clichês. Com uma clara inspiração no cinema de terror B dos anos 50 e 60, o design de produção rouba a cena. E a casa, que inicialmente serviria apenas como pano de fundo, revela-se a atração principal do filme. Vários elementos clássicos prendem o espectador na história: a arquitetura imponente e as tradicionais passagens secretas, uma bola de luz misteriosa e bonecos cantores e a clássica cigana na bola de cristal.
Além disso, há a participação interessante de Terence Stamp. O veterano ator encarna com precisão o arquétipo do mordomo de filme de terror. No mais, Mansão Mal-Assombrada não tem muito a oferecer além de uma execução infantilizada de uma boa história de fantasmas. Contudo, a curiosidade visual e a força de conectar o público com medos antigos e ultrapassados tornam a experiência divertida.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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