Crítica Pânico 7: O Retorno de Sidney Salva a Franquia? - O Mundo Autista
O Mundo Autista

Crítica Pânico 7: O Retorno de Sidney Salva a Franquia?

Pânico 7 aposta na nostalgia e na volta de Neve Campbell após polêmicas. Leia a crítica de Sophia Mendonça.

Pânico 7 aposta na nostalgia e na volta de Neve Campbell após polêmicas. Leia a crítica de Sophia Mendonça.

Pânico 7 aposta na nostalgia e na volta de Neve Campbell após polêmicas. Leia a crítica de Sophia Mendonça.

Manter uma tradição cinéfila é algo sagrado. Desde 2011, com o lançamento de Pânico 4, faço questão de conferir cada novo banho de sangue em Woodsboro diretamente nas telonas. Afinal, a franquia que Wes Craven e Kevin Williamson criaram teve um papel fundamental em me forjar como uma verdadeira amante da sétima arte.

Por isso, assistir a Pânico 7 no cinema é, antes de tudo, um reencontro prazeroso com velhos amigos. E, também, com velhos fantasmas. Mas será que o retorno do Ghostface ainda tem o mesmo impacto?

Entre polêmicas de bastidores e a volta do suspense clássico

Não podemos ignorar o elefante na sala: Pânico 7 chega aos cinemas repleto de polêmicas de bastidores. Além disso, o filme amarga uma das piores aprovações da crítica no Rotten Tomatoes. Assim, ele rivaliza apenas com o divisivo Pânico 3. A produção precisou se reinventar após a saída abrupta das duas novas protagonistas. Afinal, Melissa Barrera foi demitida após declarações sobre o conflito na Palestina. E Jenna Ortega deixou o projeto logo em seguida. Ela citou conflitos de agenda como justificativa, embora o apoio à colega de elenco seja inegável. Então, sem as irmãs Carpenter, a franquia precisou olhar para trás para poder seguir em frente.

É aqui, portanto, que Pânico 7 encontra seus maiores trunfos. Isso porque o longa aposta alto no legado ao trazer Kevin Williamson de volta aos comandos e, ainda, garante o retorno triunfal de Neve Campbell. A Sidney Prescott que encontramos agora é uma mulher madura. Ela serve, dessa forma, como pilar emocional e narrativo da obra. Ao lado dela, temos Gale Weathers (a sempre fantástica Courteney Cox), que carrega o impressionante título de ser a única personagem a aparecer — e sobreviver — em todos os sete filmes. Assim, a dinâmica e o peso histórico dessas duas atrizes sustentam o filme. Uma das melhores sacadas do roteiro, além disso, é a filha de Sidney. Ela foi carinhosamente batizada em homenagem à saudosa Tatum Riley do longa original de 1996.

Pânico 7 aposta no peso histórico de Neve Campbell e Courteney Cox para manter o Ghostface vivo

Diferente do tom mais brutal e sangrento dos capítulos cinco e seis, este sétimo filme tenta resgatar a essência atmosférica do primeiro. Portanto, existe uma troca consciente. Dessa forma, sai a violência gráfica exagerada, e entra a construção de suspense clássico. O filme, no entanto, tropeça no desenvolvimento do novo núcleo. Enquanto a filha de Sidney ganha uma história interessante, os demais novatos recebem uma abordagem rasa. Além disso, a obra carece um pouco daquela acidez característica da franquia. Assim, faltam os diálogos espertos e as sacadas geniais que consagraram Pânico como o pináculo do terror pós-moderno e metalinguístico.

“Pânico 7” dificilmente entrará na lista de favoritos de qualquer fã da franquia. Isso porque falta a ele a genialidade afiada que desconstruiu as regras do slasher ao longo das décadas. Mesmo assim, a fórmula de suspense, metalinguagem e sobrevivência continua tendo seu charme. E ver Sidney e Gale chutando a porta (e o Ghostface) mais uma vez entrega exatamente o entretenimento que buscamos. Para os fãs de longa data, a ida ao cinema mais do que se justifica.

Avaliação

Avaliação: 3 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments