A candidatura da autista Sophia Mendonça ao CONADE - O Mundo Autista
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A candidatura da autista Sophia Mendonça ao CONADE

Sobre a candidatura da autista Sophia Mendonça ao CONADE, na vaga de autista, representando a Autistas Brasil.

Sobre a candidatura da autista Sophia Mendonça ao CONADE, na vaga de autista, representando a Autistas Brasil.

Sobre a candidatura da autista Sophia Mendonça ao CONADE, na vaga de autista, representando a Autistas Brasil.

A candidatura de Sophia Mendonça ao CONADE: Recebi da Autistas Brasil o convite para representá-la no processo eleitoral do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE). Não recebi esse convite apenas como uma designação formal, mas como um gesto de confiança que toca minha história, minha escuta e meu corpo político.

Desde 2008, quando recebi o diagnóstico de autista, iniciei um percurso de aprendizado que começou dentro da minha própria casa. É que, muito antes dos títulos, das leituras, das falas públicas — veio minha mãe. Afinal, é com ela que aprendi o que é cuidado cotidiano, o que é resistência silenciosa, o que é proteger sem invisibilizar, e sobretudo, o que é amar sem desistir, mesmo quando o mundo insiste em ser hostil.

O exemplo da mãe na candidatura da autista Sophia Mendonça ao CONADE

Então, se hoje estou aqui, é porque houve uma mulher que me sustentou quando eu mesma ainda não conseguia nomear minhas dores. Portanto, a minha mãe é a minha base. E é essa relação — profundamente afetiva e ética — que desejo honrar e levar comigo. Ninguém me ensinou mais sobre dignidade do que ela. E ninguém receberá mais valor na minha trajetória do que as mães, cuidadoras, familiares que sustentam, com ou sem reconhecimento, as vidas autistas em contextos muitas vezes desumanos.

E é por isso que, se eleita, minha escuta será antes de tudo voltada para essas histórias que por muito tempo ficaram à margem das decisões políticas.

Mães que abrem mão de suas carreiras para garantir a vida de seus filhos;

Familiares que enfrentam filas, pareceres, diagnósticos e negações diárias;

Mulheres que sustentam sozinhas o cuidado de filhos com grandes demandas de apoio e ainda assim são julgadas por não fazerem mais.

Aliás, eu venho de uma vivência de autismo de nível 1 de suporte. Isso me dá acesso a espaços que muitas outras pessoas autistas não conseguem ocupar — e preciso dizer isso com honestidade. Justamente por isso, não quero ser uma voz que se impõe, mas uma voz que se curva para escutar, para abrir passagem para quem precisa de chão, não de palco.

A candidatura de Sophia Mendonça ao CONADE

Vi que algumas pessoas manifestaram preocupações com o risco de apagamento das vivências de autistas nível 2 e 3 de suporte — e de suas famílias. Quero dizer com clareza: essas preocupações são legítimas, e eu levo isso comigo com o peso e a ternura que o assunto merece.

Se me elegerem, minha atuação não será representação abstrata. Será por compromisso vivo com a pluralidade do espectro. Quero construir pontes, criar espaços de fala compartilhada e garantir que nenhuma experiência seja tratada como menos digna, menos política, menos necessária.

Como aprendi com minha mãe: toda vida importa. Mas uma vida só floresce quando recebe cuidados. E é esse cuidado — ético, coletivo e interseccional — que quero levar para o CONADE.

Com afeto, escuta e responsabilidade,

Sophia Mendonça.

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Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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