A obra-prima de Sofia Coppola em Encontros e Desencontros - O Mundo Autista
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A obra-prima de Sofia Coppola em Encontros e Desencontros

Encontros e Desencontros é a grandiosidade da vida real. Obra-prima de Sofia Coppola mostra profundidade e graciosidade únicas.

Encontros e Desencontros é a grandiosidade da vida real. Obra-prima de Sofia Coppola mostra profundidade e graciosidade únicas.

Encontros e Desencontros é a grandiosidade da vida real. Obra-prima de Sofia Coppola mostra profundidade e graciosidade únicas.

Dizer que Encontros e Desencontros traz Sofia Coppola em sua melhor forma não é dizer pouco; é, na verdade, atestar uma excelência formidável. O que nós temos aqui é um romance que consegue extrair da banalidade do cotidiano reflexões de uma graciosidade e de uma profundidade, eu diria, superlativas. Além disso, é fascinante notar como a diretora, tendo crescido mergulhada até o pescoço na realeza e nos excessos de Hollywood, possui uma ótica tão sensível. Ela jamais perde de vista aquilo que esse universo aparentemente intocável tem em comum com qualquer um de nós: a condição humana.

Encontros e Desencontros é a grandiosidade da vida real

Vejam vocês que o grande trunfo do filme é capturar aquela magnitude avassaladora de emoções que compõe a nossa experiência neste mundo, mas de uma maneira extremamente sutil, contida, corriqueira. Nós acompanhamos esse casal de protagonistas e somos sugados de forma visceral para dentro daquela dinâmica. E por quê? Porque, em meio ao neon e ao glamour, o que vemos são recortes de dramas absolutamente atemporais. São angústias com as quais nós todos lidamos, seja por conta da idade que avança, seja pela nossa própria natureza. Há uma grandeza esplêndida nessa simplicidade. Não é obra do acaso – e sim de uma justiça poética imensa – que este foi o trabalho que fez de Sofia a terceira mulher na história a ser indicada ao Oscar de Melhor Direção, levando, muito merecidamente, a estatueta de roteiro original.

E o que dizer dessa parceria entre Coppola e Bill Murray? É uma interpretação primorosa. Aliás, Murray não apenas serve como a âncora gravitacional da narrativa, mas eleva o filme a uma experiência memorável. Afinal, ele injeta no protagonista aquele seu humor cínico, blasé, mas passeia com uma facilidade assustadora por nuances muito densas, todas ocultas sob uma embalagem de simplicidade. E, por falar no aspecto cômico, é maravilhoso perceber o tato da diretora ao trabalhar o choque cultural sem um pingo de afetação ou de preconceito. A comédia aqui, assim como o drama, nasce organicamente do absurdo e da constatação das nossas diferenças. E olhem que delícia: o filme ainda nos joga uma Anna Faris – egressa brilhante da escola do besteirol – em um papel irônico, calculadíssimo e muito divertido.

Obra-prima de Sofia Coppola mostra profundidade e graciosidade únicas

Mas a cereja do bolo, o coração pulsante do filme, está nas interações belíssimas entre Murray e Scarlett Johansson. É um frescor constatar que eles não dependem de nenhum daqueles artifícios novelescos e baratos para arrancar a nossa empatia. A diretora até frustra, de propósito, a nossa expectativa por um clímax de melodrama. Em vez disso, nós apenas acompanhamos duas ilhas de solidão no meio de Tóquio. Vemos os seus caminhos se cruzarem e somos testemunhas de uma opção de uma coragem ímpar de Sofia Coppola: a de preservar a intimidade absoluta do casal. O romance deles acontece na fidelidade aos personagens, por meio de olhares e de diálogos aos quais nós – meros espectadores – nem sempre temos, e nem deveríamos ter, acesso. É, portanto, de uma fineza esmagadora.

Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

Trailer

Encontros e Desencontros é a grandiosidade da vida real. Obra-prima de Sofia Coppola mostra profundidade e graciosidade únicas.

Autora da Crítica

Sophia Mendonça é uma youtuber, podcaster, escritora e pesquisadora brasileira. Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Européia Erasmus+.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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