Dakota Johnson surpreende e brilha em “Amores Materialistas”. Confesso meu ceticismo inicial quanto à sua escalação, mas a atriz se encaixa perfeitamente no papel por diversos motivos. No mais, o roteiro tece uma colcha de referências de comédias românticas. Assim, resgata a idealizada busca pelo par perfeito, ou seja, a alma gêmea destinada a uma vida inteira. Essa temática se estende à própria conselheira, a mediadora que une esses casais.
Sob a direção de Celine Song, fica evidente a intenção de não se render a uma fantasia irreal. Assim, a trama nos apresenta a uma agência matrimonial que celebra o sucesso de suas conselheiras pelo número de uniões concretizadas. No entanto, nesta equação, um elemento imprevisível se destaca: o fator humano. Até que ponto é possível para um indivíduo compreender a complexidade do outro a ponto de promover o encontro perfeito?
As reflexões por trás do filme Amores Materialistas, com roteiro e direção de Celine Song
Apesar de uma aparência despretensiosa, o filme propõe uma reflexão profunda. Assim, questões que consideramos primordiais talvez percam sua importância diante da indagação central: serei capaz de amar e ser amado, formando um casal feliz? Essa pergunta ecoa em diferentes relações apresentadas. Então, a união com um marido rico seria a solução para quem não tolera a pobreza? Encontrar o parceiro idealizado, nessas condições, garante a felicidade? E o homem encantador, de palavras doces, mas sem recursos financeiros, conseguiria manter seu encanto no cotidiano? Afinal, como diz o ditado, “quando a necessidade entra pela porta, o amor sai pela janela”.
O filme nos convida a equilibrar todas essas variáveis. Dessa forma, a grande força de “Amores Materialistas” reside nas perguntas que levanta, nos fazendo refletir sobre a verdadeira essência do amor e das relações.
Avaliação
Vídeo – “Amores Materialistas”

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Em 2019, recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. É mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

