O que torna A Bela e a Fera um marco incontestável na história do cinema não é apenas o seu ineditismo nas premiações. Afinal, o feito estupendo de ser a primeira animação indicada ao Oscar de Melhor Filme é algo que fala por si só. O que sustenta a obra com um frescor irretocável, décadas após seu lançamento em 1991, é a maturidade formidável do roteiro de Linda Woolverton.
A Bela e a Fera quebrou recordes e paradigmas da animação tradicional
Transpondo o clássico conto para a França do século XVIII, o longa nos apresenta a um príncipe que, punido por sua arrogância, é condenado a viver sob a espantosa figura de uma Fera até que descubra o amor recíproco. E aqui reside um dos grandes trunfos da Disney: a Fera não é um vilão, mas um ser petulante, mimado e ferido. Acompanhar a desconstrução dessa agressividade em direção à vulnerabilidade, à medida que ele reaprende a amar, é um dos arcos mais bonitos já traçados pelo estúdio.
Este é um dos melhores contos de fadas da Disney
Em contrapartida, o sacrifício de Bela ao tomar o lugar do pai nas masmorras introduz uma heroína que mudou as regras do jogo. Longe da passividade adorável de clássicos mais antigos, como Cinderela e Branca de Neve, Bela é intelectualmente inquieta, compassiva e muito à frente de seu tempo provinciano. É uma mulher que lê, que questiona e que enxerga muito além das aparências superficiais. Esta é uma quebra de paradigma fascinante na construção de protagonistas femininas.
A química entre os dois é tão bem construída que a excelência da animação consegue transmitir volumes inteiros de emoção apenas em olhares cruzados, muitas vezes dispensando os diálogos. Tudo isso, claro, é ancorado por um elenco de apoio formidável (os moradores do castelo transformados em mobília) e por um design de produção que é um deslumbre absoluto. Para coroar, a trilha sonora majestosa opera como um autêntico e arrebatador musical da Broadway. Em suma: uma obra-prima irretocável, concebida com um charme e uma graça que o tempo se mostrou incapaz de desgastar.

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
Avaliação

Autora da Crítica
Sophia Mendonça é uma youtuber, podcaster, escritora e pesquisadora brasileira. É mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG). Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Européia Erasmus+.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

