Sem lágrimas para o Ano Novo - O Mundo Autista
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Sem lágrimas para o Ano Novo

Sem lágrimas para o Ano Novo, O Inverno que Prepara a Primavera, O Olhar no Horizonte e A Riqueza que Realmente Importa.

Sem lágrimas para o Ano Novo, O Inverno que Prepara a Primavera, O Olhar no Horizonte e A Riqueza que Realmente Importa.

Sem lágrimas para o Ano Novo, O Inverno que Prepara a Primavera, O Olhar no Horizonte e A Riqueza que Realmente Importa.

Já é 30 de dezembro e, com isso, 2025 começa a se despedir. Então, olho para o espelho e vejo alguém que aprendeu, a duras penas, uma lição valiosa sobre economia emocional. Portanto, preparei meu melhor sorriso para a virada do ano amanhã. Além disso, determinei que, a partir da meia-noite de 31, as lágrimas por aquilo que é pequeno não encontrarão mais caminho no meu rosto. Sem lágrimas para o Ano Novo!

Passei parte dos últimos anos entregando pérolas aos porcos. Em outras palavras, ofereci minha profundidade a quem só sabia nadar no raso. Para piorar, dei minha atenção plena a quem só se importava com o barulho das notificações. Como se não bastasse, gastei meu “tesouro do coração” tentando consertar situações e pessoas que não tinham o menor interesse em crescer.

A Riqueza que Realmente Importa

No Budismo Nichiren, aprendemos que a nossa condição de vida é o que define a felicidade absoluta. Nichiren Daishonin ensina que, mais do que os tesouros do cofre, importam os tesouros do corpo e, mais do que os tesouros do corpo, importam os tesouros do coração.

Percebi que eu estava exausta porque tentava encher o copo de relações que já não eram mais para mim. Com isso, deixava de nutrir o que é essencial. Minha meta para 2026 é a minha Revolução Humana, com o compromisso de não mais desperdiçar a joia da minha vida com o que é medíocre.

O Inverno que Prepara a Primavera

Houve momentos em que me senti tola por ter acreditado tanto, por ter me doado a quem não sabia retribuir. Mas o budismo nos oferece uma perspectiva de esperança inabalável: “Aqueles que creem no Sutra do Lótus são como o inverno; e o inverno nunca falha em se tornar primavera”.

Todo o choro e toda a frustração de ter “jogado pérolas fora” foram o meu inverno. Eles serviram para fortalecer minhas raízes e me mostrar quem eu realmente sou. Agora, sinto o calor da primavera chegando. À meia-noite de amanhã, vou celebrar o despertar de uma determinação: só entra no meu novo ano quem estiver disposto a mergulhar na profundidade.

O Olhar no Horizonte

Escolho, hoje, abraçar relações que tenham eco. Portanto, quero o diálogo que transforma, o abraço que sustenta e a amizade que desafia o meu crescimento. Assim, deixo para trás a necessidade de ser compreendida por quem prefere a lama da maledicência ou a pequenez das vaidades.

Daisaku Ikeda diz que “uma pessoa de coragem é aquela que consegue criar esperança para si mesma e para os outros, mesmo nas circunstâncias mais difíceis”. Minha coragem hoje é a de dizer “basta” ao que é pequeno e “sim” à imensidão que eu carrego.

O relógio vai bater doze vezes. O passado se tornará adubo para o meu jardim. E eu? Eu estarei com os olhos secos e o coração vibrando, pronta para viver o ano mais profundo da minha vida.

Feliz Ano Novo! Que em 2026 vocês tenham a sabedoria de guardar suas pérolas para os colares que realmente adornam a alma.

Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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