Por que Precisamos Parar de Tentar "Consertar" a Pessoa Autista - O Mundo Autista
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Por que Precisamos Parar de Tentar “Consertar” a Pessoa Autista

O Erro da Adequação Forçada: Por que Precisamos Parar de Tentar “Consertar” a Pessoa Autista. Os Interesses que Invadem a Causa.

O Erro da Adequação Forçada: Por que Precisamos Parar de Tentar "Consertar" a Pessoa Autista. Os Interesses que Invadem a Causa.

O Erro da Adequação Forçada: Por que Precisamos Parar de Tentar "Consertar" a Pessoa Autista. Os Interesses que Invadem a Causa.

Muitas vezes, percebo que existe um viés ideológico persistente que insiste em enxergar o autismo exclusivamente como algo cruel, desumano e um fardo insuportável tanto para o indivíduo quanto para sua família.

Não estou aqui para negar que o autismo traga desafios. Eu sei, por experiência própria e por observação, que o caminho pode ser sofrido e pesado. E existem fases em que o desejo de simplesmente não existir bate à porta. Mas precisamos falar sobre a raiz de grande parte desse sofrimento.

A Realidade Invisível do Autismo Nível 1

Um dado que sempre me choca e que precisamos trazer à luz é sobre o autismo nível 1 de suporte. Embora eu me identifique mais com o nível 2, os números do nível 1 são alarmantes. Afinal, essas pessoas têm uma chance significativamente maior de cometer suicídio. O que pode reduzir a expectativa de vida em até 16 anos.

Isso é extremamente sério. Mas a pergunta é: por que esses índices são tão altos? A resposta, muitas vezes, está na forma como a sociedade e a medicina tentam nos “tratar”.

O Erro da Adequação Forçada: Por que Precisamos Parar de Tentar “Consertar” a Pessoa Autista

O que muitos não percebem é que as soluções impostas por médicos, profissionais e até familiares — muitas vezes bem-intencionados, mas mal orientados — acabam se tornando uma adequação forçada.

Então, em vez de nos oferecerem ferramentas para convivermos bem com quem somos, para termos qualidade de vida e autonomia dentro das nossas possibilidades, tentam nos moldar para que pareçamos “normais” aos olhos da sociedade. Portanto, o foco é o comportamento externo, não o bem-estar interno.

Ferramentas para a Felicidade, não para a Camuflagem

Acredito que o verdadeiro caminho deveria ser outro. Afinal, ser feliz do jeito que se é, com as características que o autismo traz, deveria ser o objetivo final de qualquer intervenção. Precisamos, portanto, de:

  • Autonomia: Capacidade de decidir sobre a própria vida.
  • Qualidade de Vida: Apoio para lidar com as crises e sobrecargas sensoriais.
  • Aceitação: Entender que o autismo não é um erro de sistema a ser corrigido.

Interesses que Invadem a Causa

Infelizmente, vejo que muitas pessoas que entendem mal o autismo hoje são facilmente levadas por interesses políticos e financeiros. Afinal, a “cura” ou a “normalização” vendem muito mais do que a aceitação e a adaptação da sociedade. Por isso, é preciso estar atento para que a causa autista não seja sequestrada por quem lucra com a nossa exclusão ou com a nossa tentativa exaustiva de “encobrir” quem somos.

Precisamos mudar o foco: menos “conserto” e mais acolhimento. Menos adequação forçada e mais ferramentas para uma vida digna.

Vìdeo – Por que Precisamos Parar de Tentar “Consertar” a Pessoa Autista

Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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