Vinte anos depois, segue alta a nostalgia por “Sexta-Feira Muito Louca” (2003), aquela brilhante crônica sobre família e gerações imortalizada por Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan como mãe e filha que trocam de corpo. E o novo filme, “Sexta-Feira Ainda Mais Louca”, acerta ao não tentar replicar a fórmula original. Em vez disso, a diretora Nisha Ganatra busca complexificar o universo narrativo. Para os fãs do primeiro longa, então, a comédia é um deleite. Afinal, ela também aposta na nostalgia e no carisma do elenco. E, embora tenha diálogos menos ácidos e um tom mais juvenil, a produção segue a estrutura consagrada que conquistou o público.
Sinopse de Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda
A história agora gira em torno do casamento de Anna Coleman (Lindsay Lohan). Perto dos 40 anos, ela trocou a vida de roqueira pela de agente de talentos e mãe da adolescente Harper (Julia Butters). Já a mãe de Anna, Tess (Jamie Lee Curtis), completa o trio de gerações da família. E atua agora como terapeuta e podcaster.
No entanto, a tranquilidade é abalada quando Anna decide se casar com Eric Davies (Manny Jacinto). Ele é um londrino que também tem uma filha, a fashionista Lily (Sophia Hammons). O problema é que as futuras meias-irmãs se detestam. Isso porque Harper, uma surfista de alma livre, não suporta a esnobe Lily. E o sentimento, claro, é recíproco. Então, a ideia de se tornarem uma família é um pesadelo para ambas.
É essa animosidade que prepara o terreno para o caos. Durante uma sessão espírita, a magia acontece de forma amplificada. O que resulta em uma troca de corpos em quarteto. Ou seja, Anna vai para o corpo de sua filha Harper, e vice-versa. Mas, para complicar ainda mais, Tess e Lily também trocam de corpos.
Crítica de Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda
Nada chama mais atenção no filme, sem dúvida, que o retorno de Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis. Aliás, Curtis mais uma vez personifica o espírito excêntrico da história. Com isso, prova mais uma vez ser uma força cênica irresistível. Isso acontece especialmente ao interpretar uma adolescente no corpo de uma mulher de 60 anos. Seus momentos de comédia física, por exemplo, são um lembrete brilhante do talento singular.
Contudo, é o retorno de Lindsay Lohan que carrega o maior peso emocional. É que, após muitos anos de polêmicas, vê-la de volta em uma grande produção é o clímax de uma jornada de superação. Lohan, que sempre teve uma aura de estrela, canaliza essa bagagem de vida no papel. O que torna sua atuação ainda mais especial e simbólica para a geração que a acompanha desde a infância. Ela está simplesmente deslumbrante. O filme também acerta em cheio ao complementar essa dupla poderosa com participações divertidas do elenco de apoio original, o uso nostálgico da trilha sonora de 2003 e as atuações das jovens Sophia Hammons e Julia Butters, que expandem o legado da franquia.
Avaliação
Vídeo – “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda”

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

