Arte e entretenimento

Crítica: “A Casa das Coelhinhas” (2008)

Anna Faris (Todo Mundo em Pânico“, 2000) é uma força da natureza cômica que, frequentemente, supera a qualidade do próprio material que recebe. E, como definiu a crítica Isabela Boscov,  torna-se uma “razão em si mesma” para assistir a qualquer obra. Em “A Casa das Coelhinhas” (2008), ela entrega uma performance energética e inspirada. A personagem, Shelley, é uma coelhinha da Playboy que se vê abruptamente despejada da mansão de Hugh Hefner por ter atingido a “idade avançada” de 27 anos. Este é o equivalente a 59 anos no cronômetro daquele universo. 

Longe de ser apenas mais uma comédia grosseira, o longa revela-se uma surpresa equilibrada e mais inteligente do que o padrão usual da produtora Happy Madison, de obras como “Zohan” (2008) ou “Zerando a Vida” (2018).. Isso porque, ao utilizar o humor para discutir lealdade e autenticidade, a obra ecoa os méritos de “Legalmente Loira” (2001), também escrito por Kirsten Smith e Karen McCullah Lutz. Portanto, a comédia surge de angústias femininas e estereótipos relacionados às mulheres. Ainda que, aqui, a habilidade das roteiristas apareça em uma escala muito menor. Afinal, o filme de 2008 é mais simples e ingênuo em relação à análise social.

Sinopse de “A Casa das Coelhinhas”

A história acompanha Shelley, uma órfã que acreditava ter encontrado sua verdadeira família na Mansão Playboy. Sem rumo após ser sumariamente descartada, ela assume o cargo de “mãe da casa” da fraternidade Zeta Alpha Zeta (ZAZ), que está à beira da extinção por ser composta por jovens socialmente desajeitadas. Entre as integrantes estão:

  • Natalie (Emma Stone): A presidente não oficial do capítulo.
  • Harmony (Katharine McPhee): Uma jovem grávida.
  • Mona (Kat Dennings): Uma feminista convicta.
  • Joanne (Rumer Willis): Que utiliza um colete ortopédico sem necessidade real.

Shelley aplica seus conhecimentos de beleza e sedução para transformar as garotas, ensinando táticas de popularidade que, embora superficiais, ajudam as Zetas a atrair atenção e salvar sua se de. No entanto, ao se interessar por Colin (Colin Hanks) — um homem que não se impressiona com sua “persona” — Shelley é forçada a buscar sua própria identidade além da aparência.

O brilhantismo cômico de Anna Faris em “A Casa das Coelhinhas”

O que torna a atuação de Anna Faris genial em “A Casa das Coelhinhas” é a capacidade de interpretar o estereótipo da “loira burra” com doçura e autenticidade. Ela jamais sinaliza que está fazendo uma piada. E não recorre a caretas ou deboches para conquistar simpatia. Em vez disso, humaniza a personagem, o que torna o humor deliciosamente absurdo.

Já o elenco de apoio feminino é carismático e vibrante, contando com nomes como Katharine McPhee e a duplamente vencedora do Oscar Emma Stone. Porém, os papéis masculinos são visivelmente subdesenvolvidos. Assim, a química entre Faris e Colin Hanks é mal explorada e a participação de Hugh Hefner não é aproveitada para a sátira. Apesar disso, a energia do filme se beneficia da trilha sonora de Waddy Wachtel e da seleção musical assertiva de Michael Dilbeck.

Avaliação

Avaliação: 3.5 de 5.

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Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

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