Zohan: Um Teste de Resistência e o Fundo do Poço do Besteirol - O Mundo Autista
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Zohan: Um Teste de Resistência e o Fundo do Poço do Besteirol

Zohan: O Agente Bom de Corte é o pior filme de Adam Sandler. Confira a crítica de Sophia Mendonça sobre a comédia,

Zohan: O Agente Bom de Corte é o pior filme de Adam Sandler. Confira a crítica de Sophia Mendonça sobre a comédia,

É fascinante — e eu digo isso no sentido mais catastrófico da palavra — observar como Adam Sandler consegue destilar, em uma única obra, tudo aquilo que há de mais rasteiro, agressivo e absolutamente preguiçoso em seu repertório. Isso porque, em Zohan: O Agente Bom de Corte, dirigido pelo seu cúmplice habitual em atrocidades cinematográficas, Dennis Dugan, nós somos submetidos a um verdadeiro teste de resistência.

Como o título já nos ameaça, Sandler interpreta esse ex-agente que se reinventa como uma espécie de cabeleireiro e michê. E é a partir dessa premissa, que já exigiria uma boa dose de boa vontade do público, que o filme nos afoga em uma enxurrada de vulgaridade exacerbada e situações que beiram — ou melhor, mergulham de cabeça — na ofensa gratuita.

Zohan: O Agente Bom de Corte é o pior filme de Adam Sandler

Na realidade, chamar de “enredo” é uma generosidade que o filme não merece. Afinal, a história é um mero fiapo, uma desculpa esfarrapada para costurar o que o cineasta conduz como uma sucessão de esquetes de gosto para lá de duvidoso. Logo no início, por exemplo, somos obrigados a assistir ao protagonista testando sua tolerância à dor com um peixe de dentes afiadíssimos preso à própria virilha. E, mais adiante, somos brindados com suas tórridas e grotescas aventuras sexuais com senhoras idosas no salão de beleza. Portanto, o que se vê na tela é um esforço tão hercúleo, um desespero tão palpável para arrancar uma gargalhada do espectador a qualquer custo. Dessa forma, o efeito provocado é exatamente o oposto: é o puro e simples constrangimento.

Crítica de Zohan: O Agente Bom de Corte

E para tornar a experiência ainda mais intragável, a produção desperdiça um elenco de rostos conhecidos em atuações amadoras. Afinal, eles servem de escada para um festival de piadas misóginas e homofóbicas. Contudo, para ser absolutamente justa, há, perdida lá no fundo, uma tentativa de crítica inteligente sobre a relação entre os estadunidenses e os povos do Oriente Médio. O problema é que, mesmo sendo uma sátira válida, ela é feita de forma tão debochada e estereotipada que acaba soterrada pelo peso do besteirol de extremo mau gosto. Assim, a projeção até ensaia um começo assistível, mas se perde de maneira irrecuperável. Isso é uma pena.

Avaliação

Avaliação: 1 de 5.

Trailer

Trailer de Zohan: O Agente Bom de Corte, disponível na Amazon Prime Video e na HBO Max
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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