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Ser feliz é a esperança.

Será que estou sendo egoísta por estar tão feliz diante de um mundo tão infeliz? Até cheguei a me perguntar. Contudo, ao levar essa pergunta para a amiga Tatiane Moreira, ouvi dela: “Olha, ser feliz em meio ao caos é conseguir nutrir a esperança. Aliás, é resultado da nutrição da fé! Portanto, um ato de rebeldia e coragem.” Ainda com a dúvida, outra amiga, Selma Sueli, me acolheu por meio de sua sensibilidade: “Não tente racionalizar, só sentir.” Para dispersar qualquer resquício dessa neblina tentando ofuscar minha alegria, recebi da minha família, amor e validação! E não, não estou sendo egoísta. Porque este foi um ano bem triste e difícil, particularmente falando, e é legítimo eu estar feliz e grata. Eu fiz por merecer.

O que pode nos salvar em meio ao caos

Mas foi a poesia que me salvou nesse 2021 caótico que parecia mais ser 2020 parte 2. Sim, um ano com muitas vidas perdidas, surgimento de novas variantes do vírus da COVID-19 e a vacinação seguindo a passos lentos… Máscara, álcool em gel, distanciamento social, comércio ora fechado ora aberto, ônibus lotados. Aliás, tivemos, ainda, eventos culturais cancelados, aulas e encontros apenas remotos. Apesar de tudo isso ser privilégio de poucos… Enquanto isso, o caos na saúde e na economia só começou a dar espaço para a esperança, com o avanço da vacinação.

Nesse emaranhado de nós a serem desatados, a poesia foi como linha e agulha. Assim, ela teceu novos caminhos e novas possibilidades. Eu precisava ouvir a voz insistente da coragem. Mais que isso. Era preciso encarar o medo nos olhos. Como Riobaldo, em Grande Sertão Veredas, cara a cara com o demônio. Mas, como João Guimarães Rosa escreveu: “Quem elegeu a busca não pode recusar a travessia.”. A poética do sertão da nossa Minas Gerais acalentou minha travessia pelo deserto da minha alma. Como já escrevi aqui:

Escritores de literatura ocupam um lugar especial no meu coração.

Ser feliz no caos, é conseguir nutrir a esperança.

Nesse cenário distópico imposto pela pandemia, em meio a um turbilhão de sentimentos conflitantes entre si, um projeto literário foi farol, foi a luz na escuridão. Tive a satisfação de participar da criação e produção de um livro lindo que recebeu o nome de Breve Antologia da Poesia Feminista. E ainda ser uma das autoras. Algo antes, impensado. Durante os processos editoriais, transmutações internas e intensas foram naturalmente acontecendo em mim. Compus uma equipe de estudantes no curso de Letras, comprometidos e sensíveis, que entregaram corpo, alma e coração ao projeto. Incentivados e encorajados pela professora Daniella Lopes, eternizamos nossos nomes na história da literatura mineira.

Poesia é potência! A força poética feminina está intrínseca à nossa sobrevivência. É combustível. É resistência. Sempre recorro à poesia se estou triste, ou feliz, ou com raiva, ou medo, é dela que vem a inspiração. Ao mesmo tempo, ela pergunta e responde. E assim como escreveu Ryane Leão: “Sigo apaixonada pela mulher que batalhei para ser.”

Breve Antologia da Poesia Feminista: sua versão digital pode ser acessada gratuitamente, aqui.

Roberta Colen Linhares, natural de Belo Horizonte – MG, casada, mãe de Arthur e Isis, contadora de histórias pelo Instituto Aletria, e atualmente é graduanda do Curso de Letras na PUC Minas.

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