É comum que pais ou irmãos de crianças que estão dentro do TEA (Transtorno do Espectro Autista) apresentem características do autismo. Entretanto não preenchem os requisitos mínimos para serem diagnosticados com o transtorno. Dessa forma, as características presentes nas famílias acontecem de forma mais leve. A prevalência do transtorno nas famílias varia de 12 a 30% e os pais do sexo masculino apresentam mais características do que as mães.
Certamente, são pessoas com o Fenótipo Ampliado do Autismo, FAA, que confirmam as teorias de que o transtorno pode ser passado, também, geneticamente, dos pais para os filhos. Porém, vale lembrar que o TEA uma base neurobiológica complexa e hereditária.
Depois de meu diagnóstico, tivemos a descoberta de mais duas pessoas e vários FAA. Por exemplo, minha avó materna apresentava retraimento social, leve dificuldade de linguagem e comunicação, rigidez quanto à sociabilidade e muita dificuldade para adaptação a mudanças.
Já a minha mãe, se escondia de mim e minhas irmãs quando se sentia sobrecarregada. E também, ficava muito tempo calada. Porém, o que mais me chamava a atenção, era o esforço que fazia para não perder os prazos judiciais. Ela se formou em direito. Contudo, as características podem aparecer de formas variadas em maior ou menor grau. Desse modo, não apresenta uma generalização de quais sintomas seriam mais recorrentes.
Somente, uma avaliação adequada pode distinguir o que é sintoma, o que é do contexto ou comportamental. trazendo assim linhas de tratamentos favoráveis para os pacientes.
Depois do meu diagnóstico, ficaram mais evidentes as características “autísticas” de minha mãe. Assim, nós, filhas, sabemos que ela vai falar o que pensa de maneira assertiva. E mais, ela geralmente, não escolhe as palavras para que sua fala se torne mais branda.
No entanto, o que me encanta em minha mãe é a disposição de aprender tudo que cause interesse a ela. Portanto, ela pode falar horas sobre filmes que assiste, os benefícios das plantas medicinais. Até mesmo política pode virar um hiperfoco.
No início de agosto, mamãe completou 80 anos de vida. Certamente, 80 anos de vida para viver. E ela faz isso muito bem. Quando foi para o interior de Minas, com minha irmã, fez uma entrevista com uma pessoa que chamou a sua atenção pela lição de vida.
Agora, em setembro, ela está em João Pessoa com minha outra irmã. Sempre se divertindo e cuidando da saúde. Da mesma maneira que autismo não é sentença de infelicidade, a vida, aos 80, também não é sinônimo de tristeza. Com ou sem autismo, é preciso saber viver.
Selma Sueli Silva é jornalista, radialista, youtuber, escritora, cineasta, relações públicas e pós-graduada em Comunicação e Gestão Empresarial. Foi diagnosticada com TEA (Transtorno do Espectro Autista) em 2016. Mantém o site “O Mundo Autista” no Portal UAI. É autora de três livros e diretora do documentário “AutWork – Autistas no Mercado de Trabalho”.
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Excelente matéria, bem explicado, tenho procurado muito por isso e com essa consegui entender melhor!