Análise de O Quarto do Pânico: David Fincher explora o suspense, a ansiedade pós-11 de setembro e o forte protagonismo de Jodie Foster.
“O Quarto do Pânico” (2002) é um suspense que, à primeira vista, pode parecer simples. Contudo, o longa discute temas muito complexos, como o pânico e as ansiedades pós-11 de setembro nos Estados Unidos. O filme também aborda o lar, que para mulheres não é necessariamente um lugar seguro. Além disso, retrata a cultura do medo e sua relação com a indústria da segurança. É uma obra interessante porque faz tudo isso de maneira eletrizante. O diretor é David Fincher (de “Clube da Luta” e “Seven”). Ele é acostumado a trabalhar com obras de roteiros mais complexos e elaborados.
Aqui, no entanto, a premissa é bastante simples. Na história, uma mãe e sua filha compram uma casa nova após o divórcio da mãe. Elas percebem que um grupo de ladrões invadiu a casa e se escondem no “quarto do pânico”. Este é um local preparado especialmente para proteção. No entanto, o quarto não está perfeitamente equipado como deveria. Isso cria uma sensação tensa e claustrofóbica. Afinal, trata-se de um espaço pequeno.
Além disso, elas precisam estar em constante negociação com os invasores. Existe uma forma de comunicação com os ladrões, que querem entrar no quarto. Essa situação força mãe e filha a usarem a inteligência para competir com eles. Dessa forma, elas visam a sobrevivência e a garantir a própria segurança.
Acho muito legal que, já em 2002, o filme seja protagonizado por uma dupla de mulheres fortes e inteligentes. E a sobrevivência delas depende justamente dessas características. Jodie Foster interpreta uma mãe recém-separada que cuida da filha, com quem tem problemas de relacionamento. Sua interpretação, portanto, personifica várias ansiedades da maternidade contemporânea.
Ademais, é interessante ver como a personagem se fortalece ao longo da história.
Ao mesmo tempo, Kristen Stewart também entrega uma ótima atuação. O filme explora bem essa ideia de mãe e filha contra o mundo. Isso é algo muito presente e forte em famílias compostas por mulheres. E Kristen Stewart tem um estilo que se recusa a ser a donzela em perigo, assim como Jodie Foster. Destaco também a atuação de Forest Whitaker que, como um dos ladrões, não é unidimensionalmente mau.
O ritmo do filme é eletrizante e o suspense, bem elaborado. Isso porque David Fincher é muito cuidadoso com a estética. Assim, os movimentos de câmera, a direção de atores e a própria arquitetura da casa são calculados para provocar tensão.
Por fim, “O Quarto do Pânico” discute a ambivalência tecnológica. Afinal, o quarto oprime e protege ao mesmo tempo por ser confinado. Outro tema relevante são aa desigualdades sociais e raciais, visto que o quarto foi construído por um homem negro para proteger uma elite branca.
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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