Sabe aquele tipo de filme que, no papel, parece uma absoluta loucura, mas que na tela te segura pelo pescoço? É o caso de Plano de Voo. O diretor Robert Schwentke mergulha fundo nessa paranoia pós-11 de setembro, transformando o que poderia ser apenas um thriller de desaparecimento em um estudo claustrofóbico sobre o luto e a histeria coletiva.
A intrigante história do suspense “Plano de Voo”
A história nos apresenta Kyle Pratt — vivida por uma Jodie Foster em estado de graça — uma engenheira aeronáutica que está levando o corpo do marido de Berlim para Nova York. No meio do voo, sua filha de seis anos simplesmente… evapora. E aqui é que a coisa fica interessante: não há registro da menina na lista de passageiros, ninguém a viu embarcar e, de repente, o filme te faz o favor de colocar em xeque a própria sanidade da protagonista.
É um roteiro que caminha no fio da navalha, equilibrando uma premissa quase inverossímil com uma execução técnica impecável. O filme usa o conhecimento de engenharia da Kyle não como um detalhe bobo, mas como uma arma. Ela conhece aquele avião por dentro; ela sabe onde os segredos estão escondidos, e isso dá uma camada de inteligência ao suspense que a gente raramente vê por aí.
Jodie Foster brilha em thriller disponível na Netflix, Plano de Voo
Mas vamos ser honestos: sem a Jodie Foster, esse filme não voaria. Ela entrega aquela mistura deliciosa de vulnerabilidade e uma força bruta, quase animal, de uma mãe que se recusa a ser silenciada. Ela transita pelo desespero e pela lucidez com uma agilidade que é um assombro. É ela quem ancora a ambiguidade da trama: por um bom tempo, você se pergunta se ela é uma heroína injustiçada ou uma mulher em pleno surto psicótico. E ela sustenta essa dúvida com uma precisão cirúrgica.
Plano de Voo é um suspense que entende que o verdadeiro terror não está no que a gente vê, mas na incerteza do que nos dizem ser a verdade.
Avaliação

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

