Arte e entretenimento

Crítica: “O Pequenino” (2006)

“O Pequenino” mistura humor escatológico e comédia física. Com direção de Keenen Ivory Wayans, o longa-metragem utiliza efeitos visuais para sobrepor o rosto de Marlon Wayans ao corpo de um ator mirim. Dessa forma, cria a bizarra ilusão de um homem adulto com proporções de um bebê. No entanto, o resultado é uma obra vulgar e repetitiva. Afinal, o filme aposta em piadas previsíveis e apelativas do início ao fim. O próprio conceito visual — ver Marlon Wayans vestido de bebê — transita entre o desagradável e o perturbador.

A tentativa de provocar o riso frequentemente esbarra no grotesco, apostando em excrementos ou lascívia. Essas tentativas de chocar o público soam tolas. Para piorar, cenas que envolvem referências sexuais ou o uso da farsa para a amamentação revelam-se mais constrangedoras do que engraçadas. Como se não bastasse, a atuação de Marlon Wayans torna o personagem insuportável Ele também fala nos raros momentos de carga dramática.

Sinopse do filme “O Pequenino”, dos criadores de “As Branquelas”

A história acompanha Calvin Sims (Marlon Wayans). Ele é um criminoso de baixa estatura recém-saído da prisão. E se une ao seu parceiro atrapalhado, Percy (Tracy Morgan), para roubar um diamante valioso encomendado pelo chefe do crime Walken (Chazz Palminteri). Durante a fuga, a polícia encurrala a dupla em um shopping. Para evitar o flagrante, Calvin esconde a joia dentro da bolsa de uma desconhecida, Vanessa Edwards (Kerry Washington). Ao descobrirem onde ela mora, os criminosos percebem que o marido dela, Darryl (Shawn Wayans), está desesperado para ser pai.

É aí que surge o plano audacioso: Calvin se vestirá de bebê e será deixado em uma cesta na porta dos Edwards para recuperar o diamante. Darryl, acreditando ser um sinal do destino, adota o “bebê” instantaneamente. A partir daí, o filme se desenvolve em uma sucessão de situações absurdas. Calvin precisa manter a farsa enquanto lida com fraldas, papinhas e o carinho excessivo de seu “novo pai”. Pops (John Witherspoon), pai de Vanessa, é o único que desconfia da natureza de Calvin. Ele percebe que o bebê fuma charutos, tem tatuagens e uma força descomunal, gerando confrontos físicos caóticos. Entre uma mamadeira e outra, Calvin tenta localizar a joia, enfrentando obstáculos como o cachorro da família e os amigos de Darryl.

Crítica de “O Pequenino”, comédia dos Irmãos Wayans

Apesar do roteiro de gosto duvidoso, o filme apresenta certa melhora ao abordar as relações familiares. Surpreendentemente, a dinâmica entre os personagens de Kerry Washington e Shawn Wayans é retratada com alguma maturidade e sensibilidade. A abordagem de temas como a conciliação entre carreira e família, a jornada da paternidade e a relação conjugal ajuda a suavizar a narrativa. Além disso, a fotografia com temática infantil confere uma leveza estética que contrasta com os momentos desagradáveis. Contudo, o saldo final permanece prejudicado por efeitos especiais que envelheceram mal, tornando a experiência mais estranha do que propriamente cômica.

Avaliação

Avaliação: 2 de 5.

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

Mundo Autista

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