Arte e entretenimento

Crítica: “Confinado” (2025)

“Confinado”, refilmagem do argentino “4×4”, é um thriller que parte de uma premissa interessante. Além disso, o filme de 2025 propõe discutir temas socialmente relevantes. Dessa forma, a obra aborda questões como o abismo entre classes, a noção de justiça pelas próprias mãos e a escassa empatia social no tratamento de criminosos. Em teoria, tais temas deveriam criar um clima de alta tensão. O que poderia ser aprimorado pelas interações entre Bill Skarsgard e Anthony Hopkins.

O problema é que essa abordagem se materializa de forma superficial. O que não apenas limita o envolvimento do público, mas também confere à narrativa um tom artificial e pouco convincente. Assim, o filme se perde em personagens rasos e antipáticos, diálogos com retóricas que não levam a lugar algum e cenas de tortura que, em vez de gerarem angústia, apenas irritam. E, dessa maneira, falham em contribuir para o desenvolvimento da trama.

Sinopse do filme Confinado, com Bill Skarsgard e Anthony Hopkins

Neste longa-metragem Skarsgård vive Eddie Barrish. Ele é motorista de entregas que precisa de 500 dólares para consertar sua van. Isso porque o conserto é um passo crucial em sua tentativa de se reconciliar com a esposa, Amy (Gabrielle Walsh). Afinal, assim ele pode voltar a ser responsável por buscar a filha na escola. Então, a urgência por dinheiro o leva a uma decisão desesperada: arrombar o primeiro SUV que encontra destrancado.

No entanto, o que parecia um crime fácil se transforma em pesadelo. Isso ocorre porque, quando o veículo se tranca, a fuga torna-se impossível. No pânico para escapar, Eddie se fere gravemente. Então, ele recebe uma ligação pelo sistema de som do carro. Trata-se de William (Hopkins), o proprietário. Calmamente, William explica que, após ter seu carro arrombado várias vezes, ele decidiu usar Eddie para aplicar sua própria versão de justiça. Ele faz isso porque acredita que o sistema legal a abandonou.

Resenha do filme Confinado, suspense decepcionante do Prime Vídeo

Acontece que nem mesmo o talento de Bill Skarsgård e Anthony Hopkins consegue salvar a produção. O protagonista de Skarsgård, apesar da evidente preocupação com a filha, dificilmente gera empatia. Isso acontece porque o roteiro o retrata como um criminoso reincidente que parece mais interessado em justificar seus erros do que em mudar. O que torna mais difícil para o público torcer por ele.

Em contrapartida, o vilão de Hopkins é reduzido a um psicopata unidimensional. Para piorar, suas motivações são explicadas de forma fraca e insatisfatória. O que esvazia o personagem de qualquer complexidade. No fim, esses problemas de caracterização comprometem a verossimilhança da trama e impedem uma imersão genuína no longa-metragem.

Avaliação

Avaliação: 1.5 de 5.

Vídeo – “Confinado” (2025)

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

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