Arte e entretenimento

Crítica: Barbie (2023)

A sensação que eu tive enquanto assistia ao sucesso “Barbie”, que até agora faturou 800 milhões nas bilheterias mundiais, não se assemelha a nenhuma experiência cinematográfica que eu já vivi na vida. É que pouquíssimas obras conseguem se mostrar inovadoras de verdade. Isso porque tudo só é original até que se prove o contrário. Mas Barbie consegue essa rara proeza. Esta obra com direção e roteiro de Greta Gerwig (“Lady Bird” e “Adoráveis Mulheres“) revela-se um filme extremamente engraçado. Além disso, consegue provocar reflexões que se desdobram em várias camadas. Dessa forma, o longa-metragem mostra-se deslumbrante dos aspectos técnicos ao tom da narrativa. Isso porque Greta oferece um deleite visual que é eficaz tanto como uma diversão escapista quanto como um grito revolucionário. Ou seja, temos aqui uma obra-prima.

Qual é a história do filme da Barbie?

Sendo assim, a minha recomendação para qualquer pessoa que assistir ao filme é que se mantenha o máximo possível longe de spoilers sobre os desdobramentos deliciosos e impactantes da trama. Nela, acompanhamos o dia a dia em Barbieland, que é o mundo mágico das Barbies. Portanto, é lá onde todas as versões da boneca vivem em completa harmonia. Assim, as únicas preocupações delas são encontrar as melhores roupas para passear com as amigas e curtir intermináveis festas. Porém, uma das bonecas (Margot Robbie) começa a perceber que talvez sua vida não seja tão perfeita. Logo ela se vê questionando-se sobre o sentido da própria existência, o que serve de alerta para ela e as companheiras. Então, a vida no mundo cor-de-rosa começa a mudar. E tudo se torna ainda mais complexo quando ela e Ken (Ryan Gosling) vão para o mundo real.

Com essa premissa, “Barbie” é detalhista em cada detalhe técnico, seja no aspecto sonoro ou visual. Dessa forma, provoca o desejo de uma revisita à obra assim que ela termina. Isso porque é impossível pegar tantas nuances de uma vez só. Assim, há inteligência e cor dos figurinos ao design de produção. E o que é ainda mais incŕivel, tudo isso revela-se coerente com a trajetória em constante transformação da personagem.

Por que o filme Barbie, de Greta Gerwig, é tão maravilhoso?

Além disso, essa maravilha visual encontra-se afinada com as reflexões e temáticas propostas, de modo a revelar-se fundamental para o desenvolvimento da narrativa, que aos poucos vai desvelando percepções sobre o que é ser mulher na contemporaneidade. Tudo isso ocorre com uma energia e ritmo incríveis. Além de que, o elenco capitaneado por Margot Robbie e Ryan Gosling é perfeito na difícil missão de evocar as complexidades e arestas de cada personagem sem esquecer-se da natureza arquetípica e estereotipada deles. Nesse sentido, cabe a America Ferrera aproximar a narrativa do mundo real, o que chega ao ápice em seu monólogo catártico.

Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

Autora da Crítica

Sophia Mendonça é uma youtuber, podcaster, escritora e pesquisadora brasileira. É mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Européia Erasmus+.

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