Arte e entretenimento

Crítica: Ainda Estou Aqui (2024)

Ainda Estou Aqui, com Fernanda Torres, recebeu duas indicações ao Globo de Ouro e está cotado ao Oscar. Confira a crítica de Sophia Mendonça.

Ainda Estou Aqui (2024) é um drama tocante que une trauma coletivo e personagens envolventes. Afinal, o filme aborda sob a ótica de uma família uma dor que perpassou a vida de milhares de pessoas durante a Ditadura Militar. Com isso, o cineasta Walter Salles mostra com sutileza a violência desde período da história política do Brasil.

Dessa forma, evidencia os impactos psicológicos da censura, da tortura e da injustiça. E, no centro de tudo isso, há a interpretação primorosa de Fernanda Torres. Aliás, a atriz concorre ao Globo de Ouro pelo papel. Além disso, o longa-metragem foi nomeado à estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.

Qual é a sinopse de Ainda Estou Aqui?

A obra é uma adaptação cinematográfica do livro de memórias de Marcelo Rubens Paiva, que narra a emocionante trajetória de sua mãe, Eunice Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. Com ambientação em 1970, a história retrata a vida de uma mulher comum, casada com um ex-deputado. Tudo muda drasticamente após o desaparecimento do marido, que é capturado pelo regime militar.

Forçada a abandonar sua rotina de dona de casa, Eunice (Fernanda Torres/Fernanda Montenegro) se transforma em uma ativista dos direitos humanos. Dessa forma, luta pela verdade sobre o paradeiro de seu marido e enfrentando as consequências brutais da repressão.

Ainda Estou Aqui, com Fernanda Torres, recebeu duas indicações ao Globo de Ouro e está cotado ao Oscar

Um dos grandes trunfos de Ainda Estou Aqui é como a produção trabalha o medo e a opressão no contexto de Ditadura. Isso porque a obra não apenas recria esse cenário de maneira cirúrgica como fornece fortes doses de calor humano aos personagens. Assim, Walter Salles evoca um sentimento de medo pesado e onipresente, que se intercala com memórias familiares corriqueiras.

Nesse sentido, a interpretação formidável de Fernanda Torres em um papel de extrema complexidade revela-se o pilar do filme. Com um trabalho contido mas profundamente emotivo, a atriz consegue transmitir os sentimentos dolorosos que Eunice tem que esconder dos filhos e do exército. Além disso, a maneira como ela transforma a dor e o desespero em resistência e esperança é admirável. Também vale destacar as interpretações comoventes de Selton Mello e Fernanda Montenegro, em rápida mas marcante participação. 

Avaliação

Avaliação: 4.5 de 5.

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Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

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