A maior falha de adaptação no filme de terror A Vingança da Cinderela. Versão sombria do conto está disponível no Prime Video.
Cinderela sempre foi meu conto de fadas favorito por sua mensagem central: a de que bondade, coragem e gentileza podem transformar um destino cruel. Justamente por isso, “A Vingança de Cinderela” (2024, disponível no Prime Video) foi uma decepção profunda. O longa-metragem, afinal, trai a essência da narrativa ao transformar a protagonista (Lauren Staerck) em uma assassina vingativa e rancorosa.
Os problemas, no entanto, vão além da temática. Isso porque o filme é tecnicamente fraco. Assim, a recriação de época é quase amadora, os momentos grotescos falham em assustar ou impressionar, e as atuações são superficiais.
Na atual onda de transformar fábulas em terror, esta produção é uma aula de como não fazer isso. A ironia é que a história original tem, sim, potencial para o horror. E a prova disso é o elogiado filme norueguês “A Meia Irmã-Feia”, que usa a premissa para discutir padrões de beleza.
O maior erro de “A Vingança de Cinderela” é tentar criar uma heroína “empoderada” — sexualizada e antagonista — que, contraditoriamente, ainda recebe as recompensas da Cinderela bondosa. Então, se o conto original era sobre manter valores apesar do desprezo, esta versão glorifica a revanche violenta. Portanto, trata-se de uma desconstrução vazia, que nos dá não uma mulher forte, mas uma personagem corrompida.
Dessa forma, o longa-metragem até começa de forma tradicional, mas logo descamba para um terror de baixa qualidade. E além de distorcer a mensagem de Cinderela, é mal dirigido, mal interpretado e simplesmente não assusta.
Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Idealizadora da mentoria “Conexão Raiz”. Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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