“Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa”, a incursão da DC Comics no universo de super-heroínas, tenta injetar um sopro de ar fresco no gênero com uma abordagem feminina. Afinal, o filme tem a direção da cineasta Cathy Yan. Dessa forma, o longa-metragem se propõe a ser uma aventura divertida e tecnicamente competente. Contudo, a obra nem sempre alcança a solidez que promete.
Sinopse de Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa
A trama segue a Arlequina (Margot Robbie) após seu término com o Coringa. Com isso, reúne um improvável quarteto de heroínas, que também inclui Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e a policial Renée Montoya (Rosie Perez). Juntas, elas se veem obrigadas a unir forças para proteger Gotham de um perigoso criminoso.
A premissa é funcional, pavimentando o caminho para a ação e a interação entre as personagens. No entanto, o grande trunfo de “Aves de Rapina” reside na sua narração peculiar. Isso porque a trama é contada sob o ponto de vista da própria Arlequina. Nesse papel, Margot Robbie entrega uma performance histriônica que se destaca. Afinal, a atriz confere à anti-heroína uma autoconsciência meta-textual. Em outras palavras, Arlequina parece estar ciente dos clichês e lugares-comuns que permeiam o gênero policial.
Essa percepção, aliás, gera alguns dos momentos mais divertidos do filme. Entretanto, o que inicialmente parece ser uma sacada inteligente da roteirista Christina Hodson, acaba por revelar uma das maiores fragilidades da obra. Afinal, ao evidenciar os próprios problemas, o filme involuntariamente sublinha a superficialidade de sua própria construção. Dessa forma, a diversão momentânea não consegue mascarar a falta de um alicerce narrativo mais robusto.
Resenha de Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa
Um aspecto interessante da direção de Cathy Yan é a aparente inspiração na commedia dell’arte, da qual, inclusive, se deriva o nome da protagonista. Essa ramificação teatral, conhecida por seu improviso e interação com o público, parece ter influenciado a atmosfera de “Aves de Rapina”. Uma escolha, aliás, confere ao filme uma energia caótica e imprevisível. Além disso, Yan acerta ao se desviar da objetificação feminina, um problema recorrente em muitos filmes do gênero. Assim, o filme se destaca por apresentar a força e o ridículo de suas personagens femininas. O que acontece por meio de suas personalidades complexas, sem apelações para a sensualidade gratuita.
Avaliação

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

