Por que A Pequena Sereia me representa? Sophia Mendonça comenta a conexão dela com Ariel e a música Parte do Seu Mundo.
Por que A Pequena Sereia me representa? Estou tão empolgada para o lançamento do novo A Pequena Sereia. Este é um dos meus contos de fadas favoritos. Acho que só fica atrás de Cinderela. Isso porque a dor e o desejo de transformação pulsam de maneira poética tanto no conto de Hans Christians Anderson quanto na animação da Disney, que é bem menos triste.
Inclusive, quando criança, eu ouvia muito a música Parte do Seu Mundo e conectava ela fortemente à minha própria trajetória. Eu não sabia o que era trans na época, mas há estudos que revelam que o conto original é uma metáfora para manifestações de gênero e sexualidade fora da norma. De fato, essa música parece capturar muito bem esse sentimento de quem se descobre em uma situação vulnerável por não se encaixar em uma identidade que foi imposta ou designada. O que se estende a outras áreas da vida da pessoa, como a socialização e o romance.
Inclusive, algumas curiosidades sobre isso estão no fato de que mamãe Selma Sueli Silva, que é minha principal parceira cinéfila, não vai assistir ao filme comigo no cinema. Isso porque ele se relaciona com memórias muito dolorosas a ela no papel de mãe. Eu não a julgo.
Certa vez, fomos assistir uma peça teatral de A Pequena Sereia. Minha mãe era amiga da atriz que interpretava a Ariel, que nos convidou para assistir ao musical inspirado na Broadway. Então, pela amizade, poderíamos conhecer aos bastidores. Mas quem disse que mamãe deu conta? Ela estava em uma crise de choro do espetáculo. Afinal, viu a filha dela ali, simbolizada pela Ariel. Aliás, eu não tinha nem dez anos de idade na época.
É interessante como a arte dialoga com dilemas universais em contextos contemporâneos. Assim, afeta cada pessoa de maneira singular. De qualquer modo, A Pequena Sereia me toca como uma das narrativas mais dolorosas e sensíveis sobre a autodescoberta.
Sophia Mendonça é uma youtuber, podcaster, escritora e pesquisadora brasileira. Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Européia Erasmus+.
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