Traumas e infância, que tipo de relação é essa? Quando escuto a história do paciente e me deparo com eventos traumáticos graves na infância do adulto a minha frente, é profundamente possível enxergar a criança sofrendo dentro dos olhos daquela pessoa.
O trauma não se atualiza. Desse modo, essa talvez seja a relação mais profunda entre traumas e infância.
Assim, a dor, quando não foi trabalhada e precisou ser c
ontida (abafada) na infância, fica nítida, palpável, crua e nua na nossa frente.
E minha maternidade fica ainda mais aflorada. Então, A vontade é de voltar no tempo e maternar essa criança também. Ajudar a direcionar as famílias e os ambientes com o amor necessário… Dar suprimentos de amor básico a essa pessoa.
Mas o que temos agora são os adultos com seus pedacinhos de meninos e meninas, ainda ávidos por um apego seguro, uma fortaleza que os ampare e ajude a ressignificar toda a dor vivenciada.
É sempre possível re-criar símbolos maternos saudáveis e amorosos nos corações de sobreviventes de traumas graves!
Giovana Mol é psiquiatra e psicogeriatra. Além disso, é terapeuta focada na compaixão. É Mestre em neurociência e professora da Faculdade de Ciências Médicas para o curso de Medicina.
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