O Nível de Suporte no Autismo Pode Mudar? Por que não "Fechar" o Nível no Diagnóstico Infantil? O Que Define o Nível de Suporte no Autismo?
Muitas famílias, ao receberem o diagnóstico de autismo, encaram o “nível de suporte” (1, 2 ou 3) como um rótulo definitivo. No entanto, um documento recente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) traz uma perspectiva fundamental que já defendo há anos: o nível de suporte não é necessariamente uma sentença. Isso porque ele pode ser um retrato momentâneo.
Neste artigo, vamos entender por que essa classificação é dinâmica e o que isso significa para o desenvolvimento de autistas, especialmente na infância.
Diferente do que se pensava antigamente, o nível de suporte definido pelo DSM-5 não serve para “medir a gravidade” do autismo de forma estática. Na verdade, ele indica o quanto de auxílio aquela pessoa necessita para realizar suas atividades e interagir com o mundo naquele momento específico.
O documento da SBNI reforça que o foco deve estar nas potencialidades e nas possibilidades atuais do indivíduo. E não apenas nas suas limitações.
Uma das orientações mais importantes para médicos e terapeutas é evitar o fechamento categórico do nível de suporte no momento do diagnóstico inicial em crianças. Afinal, os motivos são claros:
A ideia de que um autista nível 3 será nível 3 para sempre (ou que um nível 1 nunca precisará de mais apoio) é um mito. Afinal, ao longo da vida, as demandas mudam. Assim, um adulto que era nível 1 na infância pode precisar de suporte nível 2 durante um período de burnout ou transição difícil. Da mesma forma, uma criança que inicia com suporte nível 3 pode, com autonomia e aprendizado, transitar para níveis de menor dependência.
Entender que o nível de suporte pode mudar é libertador e realista. Isso tira o peso do diagnóstico “fechado” e coloca o foco onde ele realmente deve estar: no suporte contínuo, no respeito às fases da vida e no investimento constante nas potencialidades de cada pessoa autista. Isso porque o diagnóstico é o ponto de partida, não o destino final.
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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