Lives e Vídeos

O Futuro do Canal Mundo Autista

Se você acompanha o canal Mundo Autista há algum tempo, deve ter reparado que as coisas estão um pouco diferentes por aqui. Isso porque tenho falado mais de cinema, de análises de filmes e menos de conceitos técnicos sobre o autismo. E hoje, quero abrir meu coração com vocês sobre o porquê disso.

Muitos podem pensar que estou passando por uma crise ou um colapso, mas é justamente o contrário. Na verdade, estou em uma fase maravilhosa da minha vida, fazendo descobertas incríveis. Portanto, a “crise” que senti foi existencial e profissional. Afinal, eu me perguntei: ainda faz sentido eu falar de autismo neste momento?

Sobrevivência vs. Paixão

Preciso ser honesta com vocês: meu hiperfoco em autismo nasceu muito mais por uma questão de sobrevivência, lá no final da minha adolescência, do que por ser um tema que eu simplesmente amo debater o tempo todo. Ele me trouxe coisas lindas, palestras e conexões com pessoas maravilhosas, mas percebi que eu estava ficando sufocada.

O meu hiperfoco “real”, aquele que faz meus olhos brilharem e me faz sentir viva, sempre foi o cinema e a análise do comportamento humano. E eu percebi que precisava resgatar isso para manter minha saúde mental.

O Lado Obscuro da Comunidade Autista

Infelizmente, preciso falar sobre algo doloroso. A comunidade do autismo está passando por um momento desafiador. Sinto que, em muitos pontos, nos tornamos uma comunidade adoecida. Isso porque interesses políticos e econômicos entraram no jogo. Eles vêm muitas vezes disfarçados de discursos de proteção, mas que trazem muito retrocesso.

Eu senti isso na pele. Recebi ataques agressivos de pessoas que interpretavam recortes das minhas falas para dizer que eu estava “banalizando” o autismo. Mas, o pior de tudo foi ter minha sanidade e minha capacidade mental questionadas por ser autista. Assim, é exaustivo ter que provar o tempo todo que você é capaz de tomar suas próprias decisões. Eu me senti acuada, machucada e, por um tempo, achei que deveria “apanhar calada”. Mas cansei disso.

Menos Ativismo, Mais Autenticidade: O Futuro do Canal Mundo Autista

Muitas pessoas me chamam de “ativista digital”, mas eu sempre me vi como uma produtora de conteúdo. E percebi que meu desejo por validação e respeito me fez acreditar que, se eu desse amor para todos, receberia apenas amor de volta. A realidade, no entanto, é mais complexa.

Decidi que não quero mais me prender aos dilemas filosóficos e às brigas da comunidade. Quero me entregar ao que eu amo. O autismo sempre estará em mim — afinal, eu sou autista e ele molda minha visão de mundo —, mas ele não precisa ser o único assunto da minha vida.

O Que Esperar do Mundo Autista Daqui Para Frente?

O canal não vai acabar! Temos um legado de mais de 10 anos que eu prezo muito. Mas o “Mundo Autista” agora entra em uma fase mais leve. Quero que este seja um espaço de crônicas, onde eu possa compartilhar minhas vivências, minha relação com a neurodivergência e, claro, minhas análises de filmes.

Aprendi que, quando sou autêntica e me permito ser leve, vocês também sentem essa energia e a recepção é muito melhor. Não quero mais tentar agradar a todos ou me encaixar em moldes rígidos.

Espero que vocês continuem comigo nessa nova jornada. É hora de trocar o peso da obrigação pela leveza da paixão.

Um grande beijo,

Sophia Mendonça

Vídeo – O Futuro do Canal Mundo Autista

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

Mundo Autista

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