Maria Antonieta: A Obra Mais Incompreendida (e Brilhante) de Sofia Coppola - O Mundo Autista
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Maria Antonieta: A Obra Mais Incompreendida (e Brilhante) de Sofia Coppola

Disponível na Netflix, Maria Antonieta é um dos melhores filmes de Sofia Coppola. Também é a obra mais incompreendida da cineasta.

Disponível na Netflix, Maria Antonieta é um dos melhores filmes de Sofia Coppola. Também é a obra mais incompreendida da cineasta.

Maria Antonieta não é apenas um dos melhores filmes da Sofia Coppola — o que, convenhamos, já é dizer muitíssimo —, mas é também, de longe, a sua obra mais injustiçada e incompreendida. É de uma audácia ímpar, porque a Coppola não está minimamente interessada em entregar uma daquelas biografias empoeiradas com cara de Wikipedia, compromissadas com cartilhas históricas ou dados macro. Francamente, o que ela faz aqui é uma reflexão íntima, provocativa e quase insolente sobre a figura dessa garota.

Maria Antonieta é a obra mais incompreendida de Sofia Coppola

Assim, Sofia nos entrega uma pérola absoluta sobre algo que ela domina como poucos: a solidão esmagadora de ser uma mulher crescendo em um mundo que sabe perfeitamente como usá-la, mastigá-la e cuspi-la, mas que é incapaz de compreendê-la. É um trabalho de humanização formidável. Antes da guilhotina, antes de ser a monarca perdulária ou o peão naquele xadrez político, ela era uma menina de 14 anos, tratada com um misto de objetificação, desdém e uma frieza atroz pelos corredores do palácio.

A atriz Kirsten Dunst brilha no filme Maria Antonieta

E, meus caros, o que a Kirsten Dunst faz neste filme é um deslumbre. Ela é impecável ao encarnar essa princesa austríaca arrancada do seu lar com uma única e sufocante função: produzir um herdeiro para a França. Dunst traz um autocontrole, um viço, uma energia adolescente vibrante que acaba implodindo — simplesmente porque aquele ambiente asfixiante não lhe oferece qualquer válvula de escape que não seja, aos olhos alheios, a mais pura futilidade.

Então, o que a protagonista faz? Ela festeja e consome. Ela se distrai como a adolescente que de fato é, enquanto os tubarões da corte a manipulam a seu bel-prazer. E, para coroar todas as qualidades de roteiro e de interpretação, o filme é um espetáculo estético inebriante. Sofia Coppola usa o brilhantismo quase acachapante dos cenários e dos figurinos não apenas como enfeite de época, mas como um motor narrativo que potencializa a energia anárquica desse recorte tão genial. É, em suma, um filme extraordinário.

Avaliação

★★★★★

Trailer

Trailer do filme Maria Antonieta, disponível na Netflix
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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