Arte e entretenimento

Crítica: “Imperfeitamente Perfeita” (2025) – Sophia Mendonça

O grande trunfo de Imperfeitamente Perfeita reside na forma como utiliza a estética nostálgica das comédias dramáticas dos anos 2000 para transmitir reflexões profundas sobre a vida pessoal feminina e a política, sempre sob uma ótica otimista e esperançosa. Dirigido pelo renomado James L. Brooks — detentor de três Oscars e 22 Emmys —, o longa narra a trajetória de Ella McCay. Aos 34 anos, Ella assume o cargo de governadora de seu estado natal após a renúncia do titular, de quem era vice, para buscar um novo cargo.

O Resgate do Chick-Lit: Nostalgia dos Anos 2000 e Política Sem Polarização

A partir disso, ​a obra resgata o estilo dos chick-lits. Este foi um gênero literário que viveu seu ápice no início do século XXI. O estilo narrava histórias que focavam na mulher moderna. Dessa forma, parodiavam o sistema. Além de equilibrar o humor com as dificuldades da vida profissional e amorosa. Então, ao situar a trama em 2008, Brooks evita a polarização política atual. Essa opção permite que o público absorva as reflexões de forma mais leve e clara.

A construção da protagonista é o pilar do filme. Isso porque Ella é uma mulher potente e focada no bem-estar coletivo. Contudo, a moça precisa enfrentar a adequação forçada ao mundo predominantemente masculino da política. A galeria de personagens coadjuvantes também é muito interessante.

Este grupo inclui a tia interpretada por Jamie Lee Curtis, e o irmão caçula, que lida com agorafobia e transtornos de ansiedade. Ademais, não há um grande vilão governamental. Afinal, o conflito surge de afetos cotidianos e situações banais. Enquanto brilha na política, Helena enfrenta inseguranças em casa, casada com um homem obcecado por status e fama que não reconhece sua grandiosidade.

Ella McCay e o Poder Feminino: Entre os Desafios do Governo e os Conflitos do Lar em “Imperfeitamente Perfeita”

Com diálogos inspirados e cenas divertidas, “Imperfeitamente Perfeita” culmina em um desfecho agridoce. Dessa forma, reforça que a esperança é a melhor resposta para o trauma. Em pleno 2026, em uma era que parece privilegiar o individualismo, esta obra surge como um abraço reconfortante. Isso porque o filme celebra a autenticidade e a bondade humanas. 

Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

Post -“Imperfeitamente Perfeita”

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

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