Arte e entretenimento

Crítica: “Garotas Selvagens” (1998)

“Garotas Selvagens” é um thriller enérgico e subversivo, repleto de reviravoltas que mantêm o espectador em suspense. O filme mistura elementos de drama novelesco, suspense noir e um toque erótico, criando uma narrativa única. O diretor John McNaughton o considera sua obra mais política, uma percepção que se torna clara ao observar a dinâmica de poder predominantemente feminina e as críticas afiadas às questões de gênero.

Além disso, a obra expõe sem rodeios as profundas divisões de classe em Blue Bay, a incompetência policial e como a ganância se esconde sob uma fachada de beleza e glamour. Todo esse enredo é habilmente construído pelo roteiro, que também apresenta uma complexidade de mistério impressionante. A partir desse cenário, McNaughton deleita o público com um ritmo ágil e enérgico, cheio de surpresas. Ele se diverte ao enganar a plateia, utilizando um tom de sátira social, tragédia grega e uma clara homenagem aos filmes noir.

Qual é a história do clássico cult Garotas Selvagens?

Em “Garotas Selvagens”, Matt Dillon interpreta Sam Lombardo, um professor de ensino médio que, ao iniciar o filme, é um “educador do ano” condecorado. Ele aborda “crimes sexuais” em sala de aula, convidando palestrantes como os policiais vividos por Kevin Bacon e Daphne Rubin-Vega. No entanto, a aluna Susie (Neve Campbell) demonstra desconforto e se retira.

É nesse contexto que surge Kelly Van Ryan (Denise Richards,), a jovem mais rica da cidade, cujas interações com o professor revelam uma tensão sexual ambígua e incômoda. A trama se desenrola com os testemunhos de Kelly e Susie, que acusam Lombardo de abuso.

O elenco do suspense Garotas Selvagens

A produção se destaca pelo seu elenco de primeira linha. Cada performance e a sintonia entre os atores são impecáveis. Neve Campbell, mais uma vez, demonstra sua força em um thriller policial, assim como em sua atuação na franquia Pânico. Contudo, Garotas Selvagens é, em essência, o filme de suas duas atrizes principais. São Neve Campbell e Denise Richards que elevam a obra a um drama melodramático e escabroso. As interações maliciosas e misteriosas entre elas, com um desempenho impecável de Richards, são cruciais para a ambiciosa dinâmica do longa-metragem.

Após o sucesso de “Pânico”, a performance atrevida de Campbell como Susie quebra a imagem de “boa moça” que ela havia construído. Já a atuação de Richards causa um efeito quase oposto: cada cena que realça suas feições angelicais parece encantar os homens que se envolvem com Kelly. O elenco masculino também é excelente, com o cinismo quase cômico de Bill Murray e o tom ameaçador e intrigante nas composições de Matt Dillon e Kevin Bacon, ambos ótimos em seus papéis.

Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

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