Duplex é, na sua essência, uma comédia de humor perverso que tem, sim, lá os seus momentos genuinamente divertidos. O problema é que o diretor Danny DeVito escorrega num ponto que é crucial para que a premissa funcione: ele falha em conferir qualquer densidade às relações entre esses personagens e às situações que nós acompanhamos na tela. E o resultado prático disso é que fica dificílimo, para não dizer quase impossível, você se envolver ou criar alguma identificação genuína com as figuras em cena ou com os absurdos do enredo.
Atriz idosa é destaque em Duplex
Mas, justiça seja feita, mesmo com esse problema estrutural – que, convenhamos, é grave –, as interpretações se revelam bastante corretas. Ben Stiller, por exemplo, nada de braçada. Ele se apropria de maneira muito divertida daquela sua clássica persona do homem comum, altamente neurótico, que invariavelmente revela um temperamento explosivo depois de sofrer uma sequência ininterrupta de humilhações. É quase catártico. Já a Drew Barrymore… bom, ela certamente não exibe aqui a profundidade dos seus melhores papéis, mas tem tanto carisma que consegue nos divertir puramente por meio daquele seu ótimo jogo de expressões faciais.
Agora, o grande trunfo, o destaque absoluto deste longa-metragem, atende pelo nome de Eileen Essell. A transformação sutil e gradual que essa senhorinha opera na tela é, de longe, o ponto alto desta comédia. E, digo a vocês, ela conduz tudo para um desfecho que se revela não apenas surpreendente, mas, veja só, bastante ousado.
Avaliação
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Autora da Crítica
Sophia Mendonça é uma youtuber, podcaster, escritora e pesquisadora brasileira. Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Européia Erasmus+.
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