Andreia dos Santos
Na pegada da diferença, percebemos que os estigmas aparecem para aqueles que não são tão iguais em sociedade. Parece contraditório, ser igual e ser diferente. Contudo, são apenas faces da mesma moeda. Senão vejamos: ser igual em nossa sociedade quer dizer que somos capazes de representar as normas, valores, condutas, formas de cotidiano apresentadas nas maneiras e gestos casuais, que passam despercebidos no meio de muitos iguais. E quando notamos as diferenças? Quando trazemos essa representação para espaços menores da sociedade, que começam a apontar as inconsistências gritantes de ser diferente, ou de sermos únicos.
Imagine uma sociedade de pessoas totalmente iguais. Na maneira de vestir, falar, andar, se comportar. Quando pensamos nesse tipo de sociedade, logo vem à nossa imaginação o livro Admirável Mundo Novo. Diferentemente da ficção, vivemos em uma sociedade de divergências, divergentes e estranhos. Por todo lado que se vai, em um mundo limitado pela pandemia da COVID-19, percebe-se a diferença e os nem tão iguais.
Na pegada da diferença, percebemos que os estigmas aparecem para aqueles que não são tão iguais em sociedade. Parece contraditório, ser igual e ser diferente. Contudo, são apenas faces da mesma moeda. Senão vejamos: ser igual em nossa sociedade quer dizer que somos capazes de representar as normas, valores, condutas, formas de cotidiano apresentadas nas maneiras e gestos casuais, que passam despercebidos no meio de muitos iguais. E quando notamos as diferenças? Quando trazemos essa representação para espaços menores da sociedade, que começam a apontar as inconsistências gritantes de ser diferente, ou de sermos únicos.
Então, em casa, na escola, na igreja, no trabalho, as diferenças e necessidade de ser diferente apresentam-se como uma face oculta, que só revelamos aos que são mais chegados. Ou pelo menos deveriam ser. Não mais em um mundo em que as vitrines virtuais se apresentam como salas de visitas dos que são iguais, ou quase.
Diante de tanto contrassenso, como compreender aqueles que atendem à demanda de ser, sentir e estar diferente? Ou ainda: como respeitar aqueles que não são representam ou performam uma imagem social, uma regra, conduta e modelo social?
Bom, aí entra a educação! Não a educação no sentido escola, ou somente isso. Mas de forma ampla, a educação no sentido de aprendizado formal e informal. A observação do outro por meio da empatia ensina. A escola abrindo espaço para a discussão sobre os diferentes de modo geral ensina. A redução de conflitos na escola, como piadas, apelidos e graça com o outro em sala de aula ensina. Temos que aprender a ensinar as pessoas sem que isso seja uma ofensa ao outro. Em relação à educação, a escola precisa aprender a ensinar a tratar, a acolher o outro, aquele diferente de mim.
No âmbito da política pública, precisamos de representantes que compreendam, de fato, o diferente e não façam deles uma plataforma política de ganho, mas que trabalhem para eles. Apresentar uma pauta que possa naturalizar a diferença entre todos. Afinal. de perto. ninguém é igual.
E você: o que pode fazer por um igual/diferente hoje?
Andreia dos Santos é socióloga e professora universitária (Curso de Ciências Sociais – PUC Minas), com mestrado e doutorado em Sociologia pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.
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