Superficialidade e Indecisão de Tom prejudicam Vingança. Este é um esforço válido, Mas Aquém do Potencial.
“Vingança” parte de uma proposta ambiciosa. Afinal, o filme busca costurar um drama sobre a fluidez das relações contemporâneas com a tensão de um suspense investigativo e pitadas de humor ácido que satirizam a cultura texana. No comando, o diretor BJ Novak também assume o papel principal. Dessa forma, ele lidera um elenco eficaz que consegue estabelecer laços afetivos com o público. A premissa de nos importarmos com esses personagens é, sem dúvida, um ponto positivo.
A história nos apresenta a Ben Manalowitz (B.J. Novak), um podcaster nova-iorquino que se vê arrastado para o interior do Texas após receber a notícia da morte de Abby, uma jovem com quem teve um caso casual. O chamado do irmão de Abby, Ty (Boyd Holbrook), o leva a uma excêntrica família e a uma investigação inesperada. Ty se recusa a aceitar a versão de overdose e clama por justiça, convencendo Ben a ajudá-lo a desvendar a verdade por trás da morte da irmã.
De olho em material para seu podcast, Ben embarca nessa jornada, explorando temas como luto e negação em meio ao choque cultural entre a metrópole e o interior. A busca pela verdade o leva a desenterrar segredos, levantando a questão: o que realmente aconteceu com Abby? Dessa maneira, a narrativa equilibra suspense e humor sombrio. Com isso, mostra a transformação de Ben enquanto ele mergulha na vida de pessoas que mal conhecia e confronta suas próprias escolhas.
Apesar da premissa promissora, “Vingança” esbarra em sua própria ambição. A sensação que fica é que muitos temas importantes, como a busca por justiça, são apenas pincelados, sem um aprofundamento real. Embora haja momentos de comédia inspirados e uma química agradável entre o elenco, o filme, no geral, se torna cansativo e pouco memorável.
Um dos principais problemas reside na transição instável entre a comédia e o suspense. Em diversos momentos, o filme parece indeciso sobre o tom que deseja seguir, o que inevitavelmente prejudica o ritmo e a imersão do espectador na trama de mistério. A investigação em si, apesar de apresentar reviravoltas pontuais, por vezes se perde na exploração das peculiaridades dos personagens texanos, desviando o foco do suspense central.
Em suma, “Vingança” apresenta uma proposta original e um elenco competente, mas sua irregularidade no ritmo e a superficialidade com que aborda seus múltiplos temas o impedem de alcançar todo o seu potencial. É um filme que diverte em alguns momentos, mas que, ao final, deixa uma sensação de que poderia ter sido muito mais.
Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
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