Arte e entretenimento

Crítica: “Presença” (2024)

Steven Soderbergh, cineasta renomado por sua versatilidade e ousadia experimental, adentra o gênero de terror com “Presença”, mas de uma maneira singular. É que, longe dos clichês de casas assombradas com jump scares e monstros óbvios, Soderbergh entrega uma experiência mais cerebral e estilisticamente inovadora. Dessa forma, o filme utiliza uma premissa engenhosa para explorar drama familiar, moralidade e percepção. Assim, seu grande trunfo a perspectiva: toda a narrativa é filmada do ponto de vista de um fantasma que habita a casa para onde uma família se muda. A câmera se torna os olhos da entidade, flutuando pelos cômodos e observando as interações, por vezes, até influenciando o ambiente, criando uma imersão constante no invisível, gerando voyeurismo e desconforto.

Qual é a história do filme Presença, dirigido por Steven Sodebergh?

Embora classificado como terror, Presence se inclina mais para um tenso drama familiar. A família — Rebecca (Lucy Liu), Chris (Chris Sullivan) e seus filhos adolescentes, Chloe (Callina Liang) e Tyler (Eddy Maday) — lida com conflitos internos e segredos. O fantasma não é uma força maligna, mas um observador curioso, com intenções que surpreendem. A trama se desenrola à medida que as tensões familiares vêm à tona, e a “presença” atua como um catalisador para eventos inesperados, revelando as rachaduras da dinâmica familiar e seus segredos.

Resenha do filme Presença, com Lucy Liu

Soderbergh, atuando como seu próprio diretor de fotografia sob o pseudônimo Peter Andrews, demonstra maestria técnica. A câmera em primeira pessoa é utilizada brilhantemente, transmitindo a sensação de um ser etéreo que aprende e se adapta. Os movimentos de câmera são fluidos e perturbadores, e os efeitos práticos, sutis e eficazes, constroem a atmosfera. O roteiro de David Koepp é inteligente e cheio de reviravoltas, especialmente no ato final. Contudo, apesar das boas ideias, a execução do filme não se sustenta: o ritmo lento e a falta de profundidade em certas nuances da dinâmica familiar, aliadas a um tom ocasionalmente melodramático, comprometem o impacto geral da obra.

Avaliação

Avaliação: 2.5 de 5.

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

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