Arte e entretenimento

Crítica: “Marte Ataca” (1996)

“Marte Ataca!” é daquelas pérolas do cinema que, na época, causou certo estranhamento, mas que com o tempo se consolidou como um clássico cult da comédia sci-fi. Sob a batuta peculiar de Tim Burton, o filme entrega uma paródia ácida e hilária dos clássicos filmes B de invasão alienígena dos anos 50. Tudo isso sem deixar de alfinetar a sociedade e a política da época.

A Chegada (Pouco) Triunfal dos Marcianos

A premissa é simples, quase infantil: marcianos com cérebros avantajados e uma risada inconfundível (e maligna) resolvem dar um “oi” para a Terra. A princípio, a coisa toda parece um encontro de nações cósmico, com direito a tentativas de comunicação e um certo otimismo. Porém, as verdadeiras intenções dos vizinhos interplanetários são bem menos diplomáticas e envolvem muita destruição e raios laser potentes. O filme não tem pudor em dizimar personagens que representam desde a figura presidencial até a apresentadora de talk show da moda. Assim, mostra que, para os marcianos, somos todos alvos em potencial.

Tim Burton no Comando: Uma Estética Inconfundível em Marte Ataca

O que torna “Marte Ataca!” diferenciado é, sem dúvida, a assinatura visual de Tim Burton. Os marcianos, com seus crânios alongados e olhos esbugalhados, são uma homenagem (e uma piada) aos ETs clássicos do cinema. Os efeitos especiais, propositalmente com uma pegada mais “tosca” para os padrões mesmo da época, reforçam essa atmosfera retrô e caricata, que é um dos grandes charmes do filme. A trilha sonora de Danny Elfman, como sempre, é um espetáculo à parte. Afinal, ela embala a insanidade que se desenrola na tela com melodias ora tensas, ora absurdamente engraçadas.

Em Marte Ataca, Sátira Social com Raios Desintegradores

Por trás da carnificina cartunesca e do humor bizarro, “Marte Ataca!” esconde uma crítica social afiada. O filme zomba da histeria da Guerra Fria, da forma como as mídias sensacionaliza meventos catastróficos, da ineficácia da burocracia e da superficialidade do mundo do entretenimento. A maneira como os líderes mundiais tentam (e falham miseravelmente) em lidar com a invasão marciana é um retrato hilário da incompetência política.

Avaliação

Avaliação: 3.5 de 5.


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Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

Mundo Autista

Ver Comentários

  • Muito bom. Gosto desse filme, e nunca imaginei que se tratasse de uma crítica e cinismo político. Que Deus continue abençoando a autora.

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