Blonde, sobre Marilyn Monroe, ultrapassa a linha tênue entre o incômodo criativo e reflexivo e o desconforto gratuito e insuportável.
O que há de repugnante em “Blonde”, novo filme da Netflix sobre a lendária Marilyn Monroe, é que a obra explora a imagem dela de uma maneira trágica e reducionista. Desse modo, é possível até fazer um paralelo entre toda a dor evidenciada no longa-metragem com a maneira como a atriz foi aproveitada e descartada por homens célebres do entretenimento.
Contudo, isso não significa que a obra seja um desastre. “Blonde” tem como diretor de fotografia Chayse Irvn, que já trabalhou com artistas como Beyoncé e Spike Lee, e compõe saltos temporais e mudanças na paleta de cores de uma maneira inquieta e propositalmente antiquada. Além disso, compõe uma dobradinha interessante com a música de Nick Wave e Warren Ellis, em fragmentos impressionantes de imagem e som.
Da mesma forma, o elenco apresenta vários destaques, desde a interação entre Lily Fisher, comovente e equilibrada como a protagonista na juventude, e Julianne Nicholson, no papel da mãe abusiva e assustadora. Assim, se analisando em momentos isolados, “Blonde” consegue emocionar. Principalmente, quando Ana de Armas está em cena com uma entrega impressionante. Afinal, ela consegue transmitir tanto a ambição quanto a vulnerabilidade de Marilyn em um filme que ignora várias nuances que a tornam uma personagem extremamente complexa.
Aliás, “Blonde” tem direção e roteiro de Andrew Dominik. Inclusive, o cineasta teve como base a narrativa ficcional sobre a estrela registrada no romance de Joyce Carol Oates. Assim, o cineasta entrega aos espectadores uma série de momentos chocantes e artisticamente ousados. Porém, ele acaba passando da linha tênue entre o incômodo plasticamente criativo e reflexivo e o desconforto gratuito que beira o grosseiro e insuportável. Desse modo, apesar de tantos talentos envolvidos, a produção revela-se um emaranhado torturante de sofrimentos. E, para piorar, abre margem para críticas acerca do fetiche relacionado ao sofrimento feminino.
Sophia Mendonça é uma youtuber, podcaster, escritora e pesquisadora brasileira. Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+.
Programa de Proteção para Princesas com Selena Gomez e Demi Lovato é encantador ao retratar…
Crítica de Não É Mais Um Besteirol Americano: humor, clichês e falhas em uma paródia…
Pânico 7 aposta na nostalgia e na volta de Neve Campbell após polêmicas. Leia a…
O Mito de Platão vira Pesadelo: Uma análise do filme "Juntos". Alison Brie e Dave…
America's Next Top Model: O Legado Tóxico e Inovador do Reality de Tyra Banks. Crítica…
O Autismo Além do Comportamento: Psicanálise na França, O Poder da Escolha e o Risco…
Ver Comentários
O filme é realmente pesado e cruel mas mostra o sofrimento de Norma Jean, uma asperger com uma intelecto superior de 165 mas com uma baixa inteligência emocional ao nível de confundir modelos de relacionamento, de confundir sexo com amor, de usar o sexo como único recurso para formação de um vínculo afetivo. Seu grande sonho era ter uma família, amigos, amor verdadeiro mas sua condição sempre impediu esse sonho e sabotou sua autoimagem. Foi abusada sexualmente desde a adolescência como muitas mulheres TEA por não entender a dinâmica das relações, os sinais, as intenções e os julgamentos sociais. Filme triste mas verdadeiro.