Do romance ao streaming: A genialidade sombria de Raphael Montes; O que esperar de Dias Perfeitos.
“Dias Perfeitos” é uma produção brasileira capaz de prender a atenção do início ao fim. Tudo isso com doses generosas de adrenalina e suspense. A minissérie é baseada no romance homônimo de Raphael Montes. Ele é autor de obras premiadas como “Uma Mulher no Escuro” e “Uma Família Feliz”, que também ganhou uma versão para os cinemas. Montes, além disso, criou a bem-sucedida telenovela da HBO Max, “Beleza Fatal”.
Não surpreendentemente, em “Dias Perfeitos”, o texto literário se encaixa como luva no formato da teledramaturgia. Isso porque a trama subverte as expectativas tradicionais de um romance. Dessa forma, transforma-se em um thriller psicológico perturbador.
A origem da história possui uma curiosidade fascinante. É que, após um pedido da mãe para que escrevesse uma “história de amor”, Raphael Montes decidiu atender ao desejo materno de uma forma, no mínimo, peculiar. Então, em vez de um conto de fadas moderno, ele concebeu o que pode ser chamado de uma história de “anti amor”.
O diferencial de “Dias Perfeitos”, afinal, reside na perspectiva. Afinal, o espectador é levado a acompanhar os eventos sob o olhar de um psicopata. Essa escolha narrativa transforma o que seria uma busca por afeto em uma jornada sombria de obsessão e controle. Assim, explora até onde uma mente distorcida pode ir para conquistar alguém.
A adaptação para o streaming consegue manter a chama da curiosidade acesa ao explorar rumos inesperados. A tensão é um elemento constante e se alimenta pela imprevisibilidade do protagonista e pelos dilemas morais que surgem ao longo dos episódios.
Apesar disso, alguns críticos e espectadores apontam que certos pontos da trama possam parecer inverossímeis na transição das páginas para as telas. Contudo, a força da premissa e a construção da atmosfera de suspense compensam qualquer licença poética. Assim, “Dias Perfeitos” se destaca como uma obra original e corajosa dentro do cenário audiovisual brasileiro.
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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