Arte e entretenimento

Crítica: “Dele e Dela” (2026) – Sophia Mendonça

As tramas de suspense policial são muito populares. Este gênero costuma seguir uma fórmula clássica, na qual um detetive perspicaz analisa o crime de fora e mantém-se como o pilar da verdade enquanto desvenda o crime impossível. No entanto, a série “Dela e Dela”, disponível na Netflix, decide quebrar essas regras. O resultado é uma experiência que desafia as expectativas do público. Afinal, a obra apresenta um jogo onde ninguém é inocente.

Desconstruindo o Suspense Policial: O Diferencial de “Dele e Dela” na Netflix

Dessa forma, o grande trunfo da produção reside na desconstrução do arquétipo do investigador. Isso porque, diferente do padrão, aqui não há um observador imparcial. Em vez disso, a narrativa coloca absolutamente todos sob a lente da dúvida. Dessa forma, insere tanto a personagem principal quanto o próprio detetive no rol de suspeitos.

Ao retirar o “porto seguro” que a figura do detetive ou da protagonista geralmente representam, a série promove uma imersão total. Isso porque ela força o espectador a se tornar um investigador ativo que tenta montar um quebra-cabeça cujas peças parecem mudar de forma constantemente. Assim, a construção do suspense se pontua por reviravoltas que mantêm o ritmo acelerado.

Investigação Sem Inocentes: A Subversão do Arquétipo do Detetive

É no desfecho visceral e surpreendente, contudo, que a obra realmente se destaca. Afinal, trata-se de um encerramento que, embora pareça impossível em um primeiro momento, revela-se brilhante por subverter o arquétipo dos personagens de uma maneira que o público jamais poderia prever.

Para além do mistério, a série mergulha em camadas psicológicas e sociais, embora sem tanta riqueza de profundidade nos diálogos e interações. De qualquer forma, “Dele e Dela” utiliza o suspense como pano de fundo para discutir temas como a forma que os julgamentos precipitados e as aparências moldam nossa percepção da culpa. Além disso, as diversas manifestações do preconceito e o impacto emocional do ciclo da vingança estão entre os assuntos que a obra aborda.

Avaliação

Avaliação: 3.5 de 5.

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

Mundo Autista

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