Arte e entretenimento

Crítica: “De Férias com Você” (2026)

Existe algo de magnético na escrita de Emily Henry. Isso porque, para quem é fã de comédias românticas, o nome dela se tornou sinônimo de um refúgio seguro, mas com uma profundidade maior do que é comum ao gênero. Em 2026, a adaptação de “De Férias com Você” provou que essas qualidades funcionam tão bem em filmes quanto nas páginas.

De Férias com Você é adaptação da obra de Emily Henry

O que torna as obras de Emily Henry tão cativantes, além do uso magistral dos tropos românticos sob a ótica feminina, é o equilíbrio tonal. Embora as histórias transbordem aquela energia entusiasmada típica do gênero, há sempre uma camada de humanidade real. Afinal, as personagens não vivem em uma fantasia cômica intocável. Existe algo de amargo, dramático e reflexivo em suas trajetórias. Contudo, Henry não se ancora no drama para tornar a história pesada, mas o utiliza para aproximar os protagonistas da nossa realidade. Aliás, é essa vulnerabilidade que nos faz torcer por eles como um casal. 

Mesmo para quem ainda não leu o livro original, “De Férias com Você” se sustenta como uma experiência cinematográfica deliciosa. Afinal, a produção é repleta de vida e energia. Dessa forma, captura a essência de dois dos tropos mais amados da literatura: amigos que se tornam amantes (friends-to-lovers) e segundas chances Assim, a trama acompanha uma amizade de anos que se desgasta até o ponto em que a única saída lógica — e inevitável — é o romance. O filme alimenta a nossa torcida justamente porque é óbvio para o público que eles foram feitos um para o outro, enquanto os personagens permanecem sem perceber isso por tempo suficiente para nos envolver completamente. 

O casal em De Férias com Você: de amigos a amantes

Um dos trunfos desta adaptação é o seu elenco. A química entre os protagonistas, é o motor que impulsiona o filme. Emily Bader encarna perfeitamente a “mocinha” das comédias românticas contemporâneas. Ela é engraçada, leve, um pouco desastrada e profundamente intuitiva. já em relação ao protagonista masculino, Tom Blyth, reside um diferencial importante. Isso porque o gênero costuma focar na força feminina e deixar o par masculino em segundo plano. Neste filme, entretanto, temos um homem à altura. Isso porque Blyth é charmoso, com uma presença amorosa e uma atuação que transborda cuidado.

Momentos como o número de dança e a situação inusitada da estátua ilustram bem a dinâmica do casal. Enquanto ela é espontânea e adepta do improviso, ele é o porto seguro que, mesmo questionando as loucuras dela, está lá para segurar o peso, literal e figurado, de suas escolhas. “De Férias com Você” é, em última análise, um filme fofo e alegre sobre a complexidade dos relacionamentos. Ele nos recorda que, quando uma amizade é construída sobre uma base sólida de cuidado e história compartilhada, o amor pode não estar muito longe. Com isso, revela-se um convite para acreditar em segundas chances e, acima de tudo, para valorizar quem nos acompanha em todas as férias da vida.

Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

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