Arte e entretenimento

Crítica: Canina (2024)

Canina é um filme de realismo mágico que aborda o reconhecimento da melancolia diária e a busca por forjar uma nova identidade como mãe. Assim, o longa-metragem aborda a maternidade e o papel social da mulher. Isso acontece a partir da história de uma mãe que abdica dos sonhos profissionais para cuidar do filho.

O que há de mais interessante nessa história é o conceito principal que compara a maternidade e o instinto canino. Essa ideia abre espaço para momentos emocionantes. Exemplos disso são as lembranças que a protagonista tem da própria mãe ou o aspecto reconfortante que ela descobre na maternidade.

Amy Adams foi indicada ao Globo de Ouro por Canina

Nesse sentido, a escolha de Amy Adams para interpretar o papel principal é certeira. A atriz lida muito bem com o tom sombrio e satírico que a diretora Marielle Heller (do indicado ao Oscar “Poderia me Perdoar?“) tenta imprimir à narrativa. Ao mesmo tempo, Amy tem repertório para retratar o turbilhão emocional da personagem e representar os momentos mais físicos e estranhos da protagonista. O que ocorre quando ela literalmente passa a agir como um cachorro.

Além disso, a personagem tem ótimos monólogos, que contrastam o que ela diz com o que queria ter dito. E dessa forma, simbolizam a raiva reprimida que perpassa a experiência feminina. Um outro acerto da narrativa é abordar os reflexos da maternidade na família como um todo. Isso inclui os impactos e as transformações no casamento.

Canina, de Marielle Heller, é bom?

Apesar de trazer boas reflexões, o filme é esquisito e não funciona tão bem. Isso acontece principalmente porque não há uma opção clara da diretora pela metáfora nem pela crônica do cotidiano. Então, há uma necessidade de explicar demais o aspecto fantasioso da narrativa para que as mensagens sobre as vivências de ser mãe não saiam prejudicadas. Assim, Canina

revela-se muito mais previsível e simplista do que poderia ser na abordagem de sentimentos complicados.

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Avaliação

Avaliação: 3 de 5.

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

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