Live-action de Branca de Neve é ruim mesmo? Problemas do novo live-action de Branca de Neve da Disney, com Rachel Zegler e Gal Gador.
O novo filme Branca de Neve está imerso em polêmicas desde as primeiras e desastrosas entrevistas das atrizes principais. Afinal, elas mencionaram que a releitura teria uma postura mais radical na atualização do clássico de 1937. Para muitos espectadores, isso soou como falta de respeito ao longa-metragem que moldou o estilo e a tradição da Disney na adaptação de contos de fadas. Além disso, Branca de Neve e os Sete Anões é primoroso nos modos como imprime as noções de doçura romântica e de risco e perigo à narrativa. Já Branca de Neve de 2025, embora atire para vários lados, não chega nem perto do impacto e da emoção do clássico.
O live-action é uma confusão. Afinal, o cineasta Marc Webb, do ótimo (500) DIas com Ela, busca criar uma nova narrativa de uma Branca de Neve possível, embora diferente daquela de 1937. Ao mesmo tempo, ele e a roteirista Erin Cressida Wilson tentam basear o enredo em personagens e situações que marcaram o longa-metragem original. Então, em vez de aproveitar possíveis brechas no roteiro original para ampliá-las, como fizeram os maravilhosos live-actions de Cinderela (2015) e A Bela e a Fera (2017), o novo filme tenta contar um novo enredo. Assim, foca em uma princesa que precisa aprender a liderar em prol do povo e dentro de valores atemporais de justiça e bondade.
O problema é que essa nova história necessita de uma reflexão e de um aprofundamento que se comunique com aspectos mais burlescos e lúdicos que marcaram a versão de 1937. Nada disso acontece aqui. Aliás, pelo contrário, o tempo de duração é modesto e os números musicais não têm muito o que acrescentar ao desenrolar da trama. E, o pior, o filme carece de beleza visual. Os cenários remetem a uma produção de baixo orçamento e os figurinos se repetem sem criatividade. No caso de Gal Gadot, coitada, ela acaba com os movimentos limitados pelas roupas.
Cenas inesquecíveis, como a chegada de Branca de Neve à floresta, são recriadas de modo artificial. A relação de Branca de Neve com os anões, agora criaturas mágicas em um CGI pavoroso, parece estar lá para cumprir tabela. E os novos personagens também aparecem de modo unidimensional e deslocado. A ideia de um ladrão para substituir o príncipe, para piorar, é vergonhosa. Toda essa bagunça culmina em um desfecho abrupto.
Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
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