Assassinato na Casa Branca é a comédia de mistério que há muito tempo ansiei por assistir. Sem apelar para a sátira besteirol, como Mistério no Mediterrâneo, essa nova empreitada da Netflix mistura um senso de humor sarcástico, personagens curiosos, uma detetive pouco convencional e uma ambientação a la às tramas de Agatha Christie, com espaços reduzidos e muito suspense.
Além disso, a série criada por Paul William Davies para a Shondaland se inspira de clássicos do cinema policial às investidas mais recentes, a exemplo de Entre Facas e Segredos. Essas referências são perceptíveis, inclusive, no título de cada episódio. Assassinato na Casa Branca também tem um quê de jogo de tabuleiro que ganha vida. O que torna toda a experiência de assistí-la ainda mais divertida. Ao mesmo tempo, o programa satiriza as relações nos ambientes de trabalho.
Assassinato na Casa Branca é comédia de mistério com personagens excêntricos e uma detetive a la Poirot
Assim, os personagens seguem tipos excêntricos e são defendidos pelo elenco com toques caricaturais, mas também certa complexidade. Há, por exemplo, a socialite que atua como chefe de comunicações da Casa Branca que quer transformar a formalidade dos eventos em algo místico e grandioso e a mordomo atrevida que entra em choque com quase todo mundo. Esses são os papeis de Molly Griggs e Edwina Findley, respectivamente.
No centro da investigação está Uzo Aduba, que é brilhante como a detetive Cordelia Camp. Ela é uma mulher extremamente inteligente e obcecada por pássaros. Além disso, é descrita como a detetive mais procurada do mundo. Seus métodos de trabalho são muitas vezes pouco convencionais, embora longe de serem chocantes; Mas, até por isso, eles revelam-se curiosos e, por vezes, muito engraçados. Um exemplo disso está em ficar calada durante um interrogatório para causar um desconforto no interrogado que o leve a confessar o que viu. Também merece a atenção as analogias espertas entre o comportamento dos pássaros e as ações humanas para a resolução do mistério.
Uzo Adubo protagoniza série da Netflix
Cordelia, ao mesmo tempo que tem um quê de brilhantismo no melhor estilo Poirot, é alguém aberta ao aprendizado e apaixonada pelas descobertas que faz pelo caminho. Nesse sentido, cabe a Randall Park interpretar um personagem que faz contraponto à estrela da série. Ele representa a perspectiva do público, ou seja, alguém que se alterna entre a frustração e a admiração enquanto aprende com a sagacidade de Cordelia.
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Avaliação

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
Eu também amei! Principalmente por ser uma comédia investigativa com um enredo leve. Assassinato na Casa Branca consegue nos prender, o tempo todo, em frente a tela.
Análise perfeita.
Serie super cansativa. Tinha tudo pra ser incrível mas se pular do terceiro para o último ep não perde nada, na verdade ganha tempo.