As Panteras Detonando não é apenas um testamento da estética febril do início dos anos 2000. Este é, aliás, um daqueles raros artefatos pop em que o protagonismo feminino é tratado com uma reverência absolutamente anárquica. Se o longa anterior já era um deleite absoluto, esta continuação joga qualquer cautela pela janela e dobra a aposta na diversão desavergonhada.
O diretor McG conduz tudo como se estivéssemos assistindo a um suntuoso e hiperativo live-action de Três Espiãs Demais. E o brilhantismo aqui reside no fato de que o empoderamento se dá pela fisicalidade absurda, pelo carisma magnético. E, francamente, por ver essas mulheres formidáveis sendo as donas incontestáveis de cada cena.
As Panteras Detonando parece um live-action de Três Espiãs Demais
O pretexto narrativo – os tais anéis roubados do sistema de proteção a testemunhas que colocam Natalie (Cameron Diaz), Dylan (Drew Barrymore) e Alex (Lucy Liu) na investigação – é, verdade seja dita, uma desculpa adoravelmente esfarrapada. O que importa de fato é a entrada triunfal de Demi Moore como Madison Lee, a ex-Pantera corrompida pelo mundo do crime.
Raro filme de ação com protagonismo feminino dos anos 2000 é obra maravilhosamente divertida
Funciona como um pastiche fabuloso de James Bond, mas sem a sisudez britânica e com muito mais brilho labial. É palpável, tabém, o quanto Diaz, Barrymore, Liu e Moore estão se divertindo horrores em cena. E essa energia contagiante transborda da tela. Envolvidas em um figurino que é um delírio fashion inesgotável e flutuando por sequências de ação que desafiam abertamente a gravidade, elas nos entregam um espetáculo maravilhosamente extravagante. E, em meio a diálogos sagazes e piruetas impossíveis, é o triunfo do cinema feito única e exclusivamente para a nossa mais pura diversão.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

