Selton Mello em "Anaconda": Humanidade e versatilidade além da atuação, Técnica internacional e o resgate da essência no cinema.
Não sou uma pessoa de ídolos. Então, nunca fui de cultivar o “grande herói” ou de idealizar figuras públicas. No entanto, se existe um artista que desafia essa minha postura e toca em um lugar que vai além da simples admiração, é o Selton Mello. Ele vive um domador de cobras na recente comédia de ação e terror “Anaconda”.
Minha conexão com seu trabalho é uma jornada que acompanha um profissional multifacetado. Afinal, o astro se expande para além da atuação. Isso porque Selton é um diretor primoroso — vide “O Palhaço” — e um produtor que entende as engrenagens da sétima arte.
Mas, para além do currículo, o que me move é o ser humano por trás da câmera. Selton parece carregar uma alma que reflete sobre o peso e a beleza de tudo. Ele é, assumidamente, um ser complexo. E, talvez, seja até sofrido por pensar demais. Mas é justamente essa sensibilidade aguçada que o permite enxergar a beleza onde outros veriam apenas o comum.
Aliás, é essa humanidade latente que mexe comigo e que me levou ao cinema para conferir seu mais novo projeto, “Anaconda”. O que aconteceu mesmo sem grandes expectativas sobre a trama em si.
Um dos pontos que mais me intrigou — especialmente após ouvir suas entrevistas, como a excelente conversa com Isabela Boscov — foi o aspecto técnico da produção. Isso porque, saber que o filme, que se passa no Brasil, foi inteiramente rodado na Austrália, traz uma camada extra de fascínio. Assim, é impressionante como o cinema consegue criar essa verossimilhança. Ver Selton atuando em inglês, navegando pelo “timing” de humor norte-americano — que é tão distinto da nossa pegada satírica brasileira — e, depois, entregando a própria dublagem, é um deleite. O domínio da voz, afinal, é uma de suas marcas registradas desde o início da carreira.
Para além da técnica, o filme brilha ao tocar em um tema universal: o reencontro. A trama nos apresenta aquele grupo de amigos de juventude que o tempo dispersou. Ao se encontrarem, o que vemos não é apenas o que cada um se tornou, mas o reflexo do que um dia sonharam ser. Contudo, a essência está ali. Então, mesmo que você não goste de quem o outro se tornou, reconhecer essa essência permite que o amigo resgate algo que ele próprio havia perdido pelo caminho.
Dessa forma, o filme lida com as imagens que projetamos para os outros — a felicidade aparente que esconde frustrações — e a beleza de ser verdadeiramente visto por quem nos conhecia antes de o mundo nos moldar. O que pode ser apenas um filme de entretenimento, com isso, se revela uma obra rica para quem se dispõe a olhar com atenção.
“Anaconda” é, também, um projeto que exala paixão pelo cinema. Além disso, vale a pena pela risada, que é garantida, e pela oportunidade de ver Selton Mello, mais uma vez, traduzir a complexidade humana em imagens e sentimentos.
Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Ela também é radialista, tendo trabalhado por 15 anos como produtora e debatedora do programa Rádio Vivo, na Itatiaia. E é autora de livros como “Minha vida de trás pra Frente” (2017), “Camaleônicos” (2019) e “Autismo no Feminino” (2022).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
Crítica de Não É Mais Um Besteirol Americano: humor, clichês e falhas em uma paródia…
Pânico 7 aposta na nostalgia e na volta de Neve Campbell após polêmicas. Leia a…
O Mito de Platão vira Pesadelo: Uma análise do filme "Juntos". Alison Brie e Dave…
America's Next Top Model: O Legado Tóxico e Inovador do Reality de Tyra Banks. Crítica…
O Autismo Além do Comportamento: Psicanálise na França, O Poder da Escolha e o Risco…
Hamnet: A Arte como Cura e a Sensibilidade Neurodivergente de Chloé Zhao no Oscar 2026.…
Ver Comentários
Não gostei muito do filme anacond a porque o ator brasileiro solto selton não atuou do começo ao fim