Além dos 100 minutos: A Narrativa, o Design de Produção Visceral e o Elenco do terror adolescente dos anos 2000 A Casa de Cera.
O gênero slasher costuma seguir uma cartilha rígida de jovens atraentes, um assassino implacável e uma duração que raramente ultrapassa os 100 minutos. No entanto, o remake de “A Casa de Cera” (2005) decidiu desafiar essas convenções. Com isso, o resultado é uma obra de quase duas horas que envolve e surpreende pela construção narrativa e técnica.
Esta é a terceira versão cinematográfica da história. E o filme justifica a própria existência por causa da evolução técnica. Afinal, se as versões de 1933 e 1953 eram limitadas pelo orçamento e pela tecnologia da época, a versão dos anos 2000 utiliza o design de produção e a maquiagem para criar um Museu de Cera visceral e amedrontador. Além disso, a estética da década está impressa em cada frame. Essa elaboração transforma o cenário em um personagem vivo e envolvente.
Um dos grandes trunfos do longa-metragem é o uso estratégico do seu tempo de duração. Enquanto muitos filmes do gênero correm para a matança, o diretor Jaume Collet-Serra dedica a primeira hora à construção de afinidade com os personagens. E, embora todos partam de arquétipos (a mocinha, o rebelde, o chato), eles possuem mais tempo de tela para se tornarem familiares ao público. Então, ao investir na relação entre os personagens, a segunda hora, que é repleta de violência, ação e sustos, ganha um peso emocional maior. Isso ocorre porque nos importamos com as vítimas.
”A Casa de Cera” também conta com figuras icônicas da cultura pop da época. A escalação de Paris Hilton foi alvo de críticas, mas hoje é vista com mais justiça. Afinal, ela cumpre perfeitamente o papel proposto dentro daquele universo. Já Chad Michael Murray, o grande “crush” da juventude dos anos 2000, entrega uma atuação sólida. Seu personagem percorre um arco de amadurecimento genuíno. Isso porque ele sai da rebeldia para se tornar o protetor da irmã, que é a protagonista vivida por Elisha Cutbert.
Além disso, Jaume Collet-Serra demonstra aqui a habilidade que veríamos mais tarde em “A Órfã” e “Águas Rasas”. O cineasta tem a capacidade de transformar premissas simples em experiências cinematográficas eletrizantes.
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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