Autismo

Autista tem perfil?

Selma Sueli Silva

Ninguém gosta de rótulos. Pelo menos ninguém que eu consiga me lembrar. Uma das motivações na busca incessante pelo diagnóstico no Tea é para ver se filho(a) e mãe escapam dos rótulos de que mima demais (é mimado), não dá limites (não tem limites), é pirracento, procura problema onde não tem… enfim, cada família conhece os rótulos que a sociedade nos impõe antes do diagnóstico.

Então, quando vem o diagnóstico é o fim dos rótulos, certo? Errado. A partir daí, tentam te enquadrar num perfil: autista é assim, mãe de autista é assado! Assim, algumas famílias e autistas preferem omitir o diagnóstico para não serem rotulados. Outras famílias e autistas, entretanto, preferem não omitir o diagnóstico para não serem rotulados. Heim? Isso mesmo, os rótulos vêm de qualquer forma. É do ser humano tentar enquadrar tudo num conceito, padronizar. E, pasmem, o mesmo acontece com o autista: ele tende a criar regras para que o mundo seja mais previsível, padronizado. Estranho? Não. Estamos falando o tempo todo de seres humanos. No caso do autista, um ser humano com cérebro neurodivergente mas ainda assim, ser humano!

Neurodivergente? Mas que negócio é esse? Bem, o termo neurodivergência (ou neuroatipicidade ou neurodiversidade) surgiu em 1999, com a socióloga australiana Judy Singer. Ela era autista (asperger) e defendia que o espectro autista não era doença, ou seja, algo que precise de cura, e sim uma forma diferenciada de funcionamento do cérebro. O autismo seria, segundo essa socióloga, mais uma diferença humana, uma característica inata que merece reconhecimento e respeito assim como etnias, orientações sexuais, por exemplo.

Então, tudo certo agora, não é? Não, claro que não. Pesquisas na área indicam que o autismo é uma condição MUITO diversa. É como se o autismo manifestasse de forma diferente em cada pessoa. Interessante isso. Voltamos ao ponto primordial. Cada um é único, diferente em sua igualdade e igual em suas diferenças.

Mundo Autista

Posts Recentes

Autismo e a A Linha Entre a Solitude e a Solidão

Sobre Autismo e a A Linha Entre a Solitude e a Solidão. Entenda a diferença…

19 horas atrás

O Horror Imortal: O Que “Drácula” de 1931 Ainda Tem a Nos Dizer?

Drácula (1931) e o medo do desconhecido: como o clássico do terror ainda reflete a…

3 dias atrás

Crítica: A Noiva! de Maggie Gyllenhaal Entrega Caos Visual e Identidade Feminina

Crítica de "A Noiva!", de Maggie Gyllenhaal. Com Jessie Buckley e Christian Bale, o longa…

3 dias atrás

O momento certo para o diálogo: Dicas Essenciais para Conviver com Pessoas Autistas

O momento certo para o diálogo: Dicas Essenciais para Conviver com Pessoas Autistas e O…

4 dias atrás

Crítica | Mansão Mal-Assombrada: Terror Infantil, Humor e Nostalgia Disney

Crítica Mansão Mal-Assombrada: o filme da Disney que une terror infantil, humor e questões raciais.

5 dias atrás

Programa de Proteção para Princesas: O Clássico da Disney que Redefiniu a Realeza

Programa de Proteção para Princesas com Selena Gomez e Demi Lovato é encantador ao retratar…

2 semanas atrás

Thank you for trying AMP!

We have no ad to show to you!